Começar com codornas — a checklist

O que resolver antes das primeiras codornas, de que equipamento você realmente precisa e como correm as três primeiras semanas, da incubação à transferência.

Esta página é uma lista para marcar, não um livro-texto. Ela diz o que precisa estar resolvido antes do primeiro ovo, que equipamento deve estar de pé, como correm as três primeiras semanas e o que você tem de resolver fora do seu galpão. Quase tudo o que custa aves ao iniciante está nas duas primeiras seções — só que elas costumam ser lidas quando os filhotes já chegaram.

1. Antes de trazer as aves

  • Espaço para as aves adultas. Na prática, conta-se com cerca de 150 a 250 cm² de área de piso por ave, conforme o tipo de alojamento e as exigências locais. Feche esse número antes de colocar ovos — ele limita todo o resto.
  • Espaço para a criação. Filhote precisa de pouca área no começo e de um múltiplo disso depois de duas semanas. Dimensione a criadeira não para o dia da eclosão, e sim para a terceira semana.
  • O local. Seco, sem corrente de ar, sem sol direto da tarde, com ar fresco e uma tomada por perto. Veja se a temperatura ali ainda é administrável no verão e no inverno.
  • Barulho e vizinhos. As fêmeas são silenciosas, os machos não: o canto deles é curto, penetrante e se repete. Acerte a criação com os vizinhos, com o dono do imóvel ou com o condomínio antes de haver ave.
  • Proteção contra predadores. Ratos, martas, gatos, aves de rapina. Use tela de malha fina, soldada ponto a ponto, em vez de tela larga; proteja o piso por baixo e cada portinhola com uma tranca que pata nenhuma abra.
  • Orçamento de tempo. Num plantel pequeno, uns 15 a 30 minutos por dia: ração, água, uma conferida visual, ovos. Fora isso, um bloco mais longo por semana para a limpeza e dias avulsos — eclosão, transferência — em que vira bem mais.
  • De onde vêm as aves. O ovo fértil é o caminho mais barato e mais lento, com a maior parcela de aprendizado; a ave jovem é o mais rápido, com o maior risco de compra.
  • O fim da corrente. Resolva de antemão para onde vão os machos excedentes e as poedeiras no fim da carreira, e quem faz o abate.

2. Equipamento

Cada linha diz por que está na lista.

  • Incubadora, porque sem ela você depende de uma fêmea choca — e codorna de criação em geral não choca os próprios ovos.
  • O tipo certo de incubadora: a máquina do período principal mantém os ovos aquecidos e os vira; o nascedouro assume nos últimos dias, em que eles ficam parados e a umidade está mais alta; a máquina combinada faz as duas coisas num gabinete só. Máquinas separadas são mais limpas e mais fáceis de planejar; a combinada é mais barata e basta para começar.
  • Criadeira, porque filhote precisa de um espaço fechado, sem corrente de ar, em que o calor se segure.
  • Fonte de calor com controle — campânula escura, placa aquecida ou emissor cerâmico com termostato —, porque a temperatura de criação não fica constante: ela cai ao longo das semanas, conforme o plano.
  • Bebedouro de filhote, raso e protegido, porque filhote se afoga em água aberta e filhote molhado esfria.
  • Bebedouro para as aves adultas, porque bebedouro de nipple ou de copo fica limpo muito mais tempo que prato aberto.
  • Comedouro de abertura estreita, porque codorna espalha ração para fora de prato aberto, e você acabaria forrando a cama com o que era para alimentar.
  • Cama, porque ela prende a umidade e freia a formação de amônia; absorvente, com pouco pó e não lisa — em piso liso o filhote abre as pernas.
  • Balança, porque o peso é o primeiro retorno honesto sobre ração e alojamento, muito antes de dar para ver alguma coisa na ave.
  • Termômetro e higrômetro, pelo menos dois jogos, porque o visor da incubadora é a fonte de erro silencioso mais comum: um segundo instrumento, independente, na altura dos ovos revela desvios que de outro modo você só notaria quando a eclosão não vem.
  • Recipientes para guardar e transportar ovos, porque o ovo fértil quer ficar fresco e com a ponta para baixo antes de entrar na máquina.

3. As três primeiras semanas

Os dias são faixas; a velocidade depende da condução de temperatura, da qualidade do ovo e da idade das matrizes.

  • Dia 0 — colocar os ovos. Deixe a máquina rodar algumas horas antes para chegar à temperatura, distribua os ovos pelas bandejas, anote a quantidade.
  • Dia 1 até uns 14 — incubar. Vire os ovos várias vezes ao dia, três a cinco vezes é o usual, de preferência número ímpar, para que eles não passem toda noite na mesma posição. Confira temperatura e umidade todo dia no segundo instrumento, não só no visor.
  • Por volta do dia 14 a 15 — transferência. Os ovos vão para o nascedouro ou para a bandeja de nascimento, a viragem para, a umidade sobe. Daqui em diante a tampa fica fechada o máximo possível.
  • Por volta do dia 16 a 18 — eclosão. Costuma se estender por um a dois dias. Os filhotes ficam no nascedouro até estarem secos e firmes nas pernas — de algumas horas até cerca de meio dia.
  • Primeiras 24 a 48 horas na criadeira. O trecho mais quente de toda a criação, em geral uns 35 a 37 °C sob a fonte de calor. Mostre água e ração a cada filhote, molhando o bico de leve.
  • Semana 1 — a crítica. Confira as perdas de manhã e à noite, cada perda anotada com data e hora; mais tarde essa é a única pista até a causa.
  • Semana 2 a 3 — endurecer as aves. A temperatura sob a fonte de calor cai por semana uns 3 a 4 °C, até que as aves suportem a temperatura ambiente. O comportamento regula melhor que o termômetro: monte apertado sob a lâmpada quer dizer frio demais; anel junto às bordas, calor demais.
  • Por volta do fim da semana 3 à semana 4 — transferir. Assim que as aves estiverem empenadas e passarem sem calor extra, vão para gaiola ou viveiro. Daqui em diante valem o espaço, o comedouro e o bebedouro da versão adulta.

4. O que você resolve fora

O que vale aqui muda de país, de estado e de município. Esta página só nomeia, portanto, as perguntas e as instâncias responsáveis — pergunte lá antes de as aves chegarem.

  • Serviço veterinário oficial. Preciso declarar meu plantel, e a partir de quantas aves? Que registros são exigidos? Preciso de número de cadastro, tenho de me inscrever em algum fundo ou programa de sanidade animal, e o que vale quando é determinado o confinamento das aves?
  • Prefeitura: posturas e obras. A criação de aves é permitida no meu endereço — área residencial, horta comunitária, contrato de aluguel? Existem exigências quanto a construção, distância ou ruído?
  • Órgão de extensão rural. Onde se enquadra a minha criação, e o que muda quando eu passo do consumo próprio para o fornecimento regular?
  • Inspeção sanitária de alimentos. O que vale para a venda de ovos e de carne: rotulagem, quantidades fornecidas, venda direta na propriedade, abate?
  • Contador. A partir de quando a venda tem efeito tributário, que tipo de rendimento é esse e o que tenho de registrar?
  • Veterinário. Quem atende aves na minha região? Essa pergunta se faz de preferência antes de a resposta ser urgente — em suspeita de doença ou perda fora do normal, o endereço é o veterinário, não o fórum.

Por que anotar compensa

Cada ponto desta lista gera números: ovos colocados, filhotes nascidos, perdas por dia, pesos, capacidades. Isolados, não valem nada; ao longo do tempo, são a única coisa que diz se o último lote correu melhor que o anterior e a que isso se deveu. Anote desde o começo; papel basta enquanto você toca um lote só. A partir do segundo ou terceiro lote simultâneo, os registros já não pertencem uns aos outros pela ordem do calendário, e sim pelo lote — e é aí que entra o QuailBreeder. Você cadastra suas incubadoras, criadeiras e locais com as capacidades reais; o aplicativo lembra do dia da transferência e do dia da eclosão por notificação push ou compromisso no calendário, avisa da superlotação da criadeira, guarda cada perda com data, hora e gaiola e calcula com isso a taxa de viabilidade por lote. Ele não ajusta incubadora nenhuma e não mede nada por conta própria; ele garante que os números que você já levanta continuem comparáveis.

Esta página é uma lista de compras e de preparação; para marcá-la bastam papel e lápis. Dentro do aplicativo existe depois uma lista de tarefas corrente — a aba Tasks — com as datas de cada lote, que são marcadas como feitas. As duas listas fazem coisas diferentes: esta leva você até o primeiro ovo; aquela acompanha cada lote até a venda.