Manual: gerir uma criação de codornizes com o QuailBreeder
Dos catálogos de equipamento à incubação, à eclosão e à criação, e daí à faturação — como gerir a sua criação de codornizes com o QuailBreeder, com conhecimento prático onde ele conta.
1.O que o QuailBreeder faz — e o que ele não faz
QuailBreeder é uma ferramenta para quem incuba, cria e vende codornas. Ele carrega a operação inteira numa corrente sem emendas — do ovo à fatura — e transforma as anotações soltas que você já faz todo dia em números com que dá para planejar. Este capítulo conta o que o aplicativo assume e o que ele deixa de fora de propósito, para que em dez minutos de leitura você saiba se ele serve à sua criação.
O ciclo completo: do ovo à fatura
O aplicativo acompanha o ciclo que suas aves percorrem de qualquer maneira. Cada fase tem uma tela, e cada fase entrega seus números para a seguinte.
| Fase | O que você registra | O que o aplicativo faz com isso |
|---|---|---|
| Incubação | ovos por lote, máquina, bandejas; com incubadora separada, também as bandejas de nascimento planejadas | conta os dias, lembra do dia da transferência, acompanha quanto de cada máquina está ocupado |
| Eclosão | incubadora, número da bandeja, filhotes nascidos, criadeira de destino | calcula a taxa de viabilidade como a razão entre filhotes nascidos e ovos incubados |
| Criação | perdas diárias, anotações sobre mudanças de ração e de clima | registra a curva de perdas por lote, avisa de superlotação |
| Engorda | o local e as gaiolas ocupadas naquele dia | acompanha o plantel e o consumo até o nível do local |
| Abate | ficha de abate ou ordem de processamento | serve também como pedido de venda e como base da fatura |
| Venda | fatura gerada a partir do modelo | arquiva o lote sozinho assim que não resta nenhuma ave nele |
As mesmas ferramentas atravessam todas as fases: um retrato de quanto suas incubadoras, criadeiras e gaiolas estão ocupadas e do que ainda está livre; lembretes como notificação push ou como compromisso no seu calendário (iCloud, Google Calendar); uma análise de mortalidade que anota cada perda por data, hora e gaiola ou local; e modelos de fatura que você mesmo desenha e que aceitam links clicáveis.
Tudo desemboca num número só, a taxa de viabilidade: a parcela do que entrou na incubadora e termina de pé como ave viva e vendável. Ela é apurada por lote, e é exatamente por isso que dá para compará-la — entre máquinas, estações do ano e matrizes.
Para quem isso serve
Do fundo de quintal ao pequeno negócio. O aplicativo nasceu de uma operação exatamente assim: uma criação de codornas de quintal que, depois de dois anos, chegava a cerca de 50 kg de carne por semana — com 14 a 15 lotes sobrepostos e mais de 3.000 aves em estágios diferentes. É também essa a ordem de grandeza para a qual os controles foram desenhados: caminhos curtos, botões grandes, um botão de desfazer para o toque errado dado com os dedos gelados.
O aplicativo foi feito para o celular e para mais nada, como app nativo de iOS, porque os números de uma criação se fazem no galpão, não na escrivaninha. Você registra uma eclosão com as mãos molhadas e três segundos de atenção.
QuailBreeder é um programa para iPhone e iPad; não existe versão Android nem acesso pelo navegador. Se a sua criação trabalha com aparelhos Android, o registro acontece num único aparelho iOS — o que na prática não precisa ser desvantagem, desde que esse aparelho vá com você até o galpão.
O que ele não faz, e não faz de propósito
- Não comanda a incubadora. Temperatura, umidade e intervalo de viragem você ajusta na máquina, como antes. O aplicativo guarda o cronograma da incubação, não a incubadora.
- Não mede nada por conta própria. Não há sensor nenhum envolvido; todos os valores vêm de você ou do visor da sua máquina. Um número que você não digita não existe para o aplicativo.
- Não substitui o veterinário. O registro de perdas mostra quando e onde as aves morrem, e isso vale muito na hora de procurar a causa. Não é um diagnóstico. Se suspeitar de doença, vir perdas fora do comum ou notar mudança no comportamento, procure o veterinário.
- Não dá orientação jurídica. Se e onde você precisa registrar o plantel, que anotações é obrigado a guardar e o que vale para a venda de carne e de ovos: as regras mudam de estado para estado e de município para município. Pergunte ao órgão competente da sua região antes de emitir o primeiro pedido de venda.
- Não é um ERP corporativo com ícone de passarinho. Estoque, contabilidade e pessoal não são assunto dele; lotes, plantel e a fatura que sai deles, sim.
Se a ferramenta combina com você
Combina se você toca mais de um lote ao mesmo tempo, se quer saber por que um lote saiu pior que o anterior e se não quer mais passar a pilha de papel a limpo à noite. Combina menos se você acompanha uma única fêmea com um punhado de ovos, ou se o que procura é automação de galpão — para isso ela não foi feita.
O próximo passo é preencher os três catálogos. É o próximo capítulo, e leva uns dez minutos.
2.Pronto em dez minutos — incubadoras, criadeiras, locais
Antes de criar o primeiro lote, você preenche três catálogos com o equipamento que realmente usa: incubadoras, criadeiras e locais. Isso fica na aba Início (Home), em Configurações (Settings); o aplicativo conduz você pelo caminho. Numa criação de quintal típica, leva uns dez minutos.
Esses dez minutos são o preço de tudo o que depois anda sozinho. Só quando o aplicativo conhece suas máquinas e suas caixas é que ele consegue contar, avisar e planejar: verificar quantos ovos cabem na máquina escolhida, alertar no dia da eclosão sobre uma criadeira lotada, mostrar num painel único que aparelho está ocupado e qual está livre. Sem os catálogos, ele continua sendo um caderno.
| Catálogo | O que você informa | Para que o aplicativo precisa disso |
|---|---|---|
| Incubadoras | tipo, número de bandejas, capacidade de ovos por bandeja, dias de incubação da máquina | conferência de capacidade ao criar um lote, distribuição pelas bandejas, ocupação de cada máquina |
| Criadeiras | o número máximo de filhotes e quantos dias eles ficam | aviso de superlotação já no dia da eclosão, a data de transferir as aves |
| Locais | finalidade, gaiolas com sua capacidade, dias de permanência | conferência de capacidade na hora de alojar, a data do ponto de abate, atribuição limpa dos números |
As incubadoras
O aplicativo conhece os três formatos clássicos, e a distinção não é formalidade — dela depende você precisar ou não de um dia de transferência.
- A incubadora do período principal — o Setter — segura os ovos durante a maior parte da incubação e faz a viragem em intervalos regulares.
- O nascedouro — o Hatcher — assume nos últimos dias, em que os ovos ficam parados até os filhotes eclodirem.
- A máquina combinada dá conta dos dois serviços num gabinete só.
Para cada incubadora você informa o número de bandejas e a capacidade de ovos de cada uma. É exatamente essa a base do planejamento: ao criar um lote, o aplicativo confere quantos ovos cabem na máquina escolhida e ajuda na distribuição pelas bandejas. Se você trabalha com incubadora e nascedouro separados, ele ainda lembra de definir as bandejas de nascimento para o dia da transferência.
Tem várias máquinas de tamanhos diferentes? Cadastre todas. Não há limite de incubadoras, e a ocupação é acompanhada máquina por máquina — você sabe, antes mesmo de recolher os ovos, qual gabinete ainda tem bandeja livre.
Cada máquina carrega também o seu próprio número de dias de incubação, e a lista mostra isso: "Setter for 15 days, 4 trays". O padrão são 15 dias na incubadora, 3 dias no nascedouro e 18 dias na máquina combinada — os dois caminhos dão a mesma soma. Se o seu aparelho for diferente, mude o número na incubadora; todas as datas dos lotes passam a ser calculadas a partir dele. A ocupação aparece na máquina como número e proporção ("120 out of 420 (29 %)") e, abaixo dela, bandeja por bandeja. A interface chama a bandeja de Tray o tempo todo, tanto na incubadora quanto no nascedouro — é um único e mesmo objeto.
As criadeiras
Uma criadeira — Brooder, como a interface chama — é o berçário aquecido das primeiras semanas depois da eclosão. Você dá dois números: quantos filhotes ela comporta com segurança e quanto tempo eles ficam nela ("Stay in the brooder (Days)"). Do primeiro número sai o aviso de superlotação; do segundo, a data em que o aplicativo lembra de transferir as aves.
Isso não é formalidade. A superlotação nas duas primeiras semanas está entre as causas mais frequentes de perdas precoces — e entre as mais fáceis de evitar. Quando uma eclosão sai maior que o esperado, a tentação de espremer tudo numa caixa só por uns dias é grande. Com capacidades honestas cadastradas, você enxerga no próprio dia da eclosão se os filhotes cabem — e prepara a segunda criadeira a tempo, em vez de improvisar à meia-noite.
Os locais
Locais (Locations) são grupos de gaiolas com uma finalidade. Três são típicos: gaiolas para as matrizes, gaiolas para produção de ovos e gaiolas para engorda. Um local pode ser uma estante de gaiolas, um cômodo inteiro ou um único viveiro grande — o que decide é a finalidade, não a geometria.
Pensar em finalidades compensa mais adiante: a contagem de ovos é reunida por local de produção de ovos, ração e crescimento ficam registrados onde vivem as aves de engorda, e o plantel de reprodução guarda a própria história. Quando você passa as aves de uma criadeira para um local, o aplicativo já sabe a que elas se destinam, e a estatística fica limpa.
A capacidade é mantida duas vezes: cada gaiola tem a sua, e o local carrega a soma. Some-se o tempo de permanência em dias ("Stay in the cages (Days)"), de onde o aplicativo calcula o dia em que o plantel chega ao ponto de abate. As configurações mostram a capacidade total de todos os locais em aves e a de todas as criadeiras em filhotes — a resposta mais rápida à pergunta de se ainda cabe mais um lote.
Para começar, pouco basta
Não persiga uma instalação completa no primeiro dia. Uma incubadora, uma criadeira, um local — com isso você leva um lote pequeno do começo ao fim e refina os catálogos depois. Só nos números convém ser exato desde a primeira hora: meça as bandejas e conte direito o espaço das gaiolas, uma vez que seja. Os avisos do aplicativo são apenas tão honestos quanto as capacidades que você der a ele.
3.Colocar os ovos — lote, plano de viragem, bandejas
O lote é a unidade em que o aplicativo pensa. Todo número que aparece depois — eclosão, perdas, ração, fatura — está pendurado no lote que você começa agora. Por isso vale fazer com cuidado as poucas entradas do momento em que os ovos vão para a máquina.
Como nasce um lote
Na barra de abas, escolha Lote (Batch) e informe a quantidade de ovos deste lote. Depois disso:
- Para criar um lote com data retroativa, toque na data acima da quantidade. Isso só é possível enquanto os ovos ainda não foram colocados na incubadora.
- Trabalhando com incubadora e nascedouro separados, defina também as bandejas do nascedouro — as bandejas de nascimento previstas para o dia da transferência.
- Distribua os ovos pelas bandejas. Pelo catálogo, o aplicativo conhece a capacidade de ovos de cada bandeja e ajuda no rateio.
- Errou o dedo? Desfazer (Undo) apaga a última ação.
- Com os ovos distribuídos, toque em Start. A incubação passa a correr, e o aplicativo conta os dias.
Ser lembrado do dia da transferência e do dia da eclosão é coisa que você decide em Configurações (Settings), na aba Início (Home). A escolha é entre notificações push e compromissos criados automaticamente no calendário de sua preferência. Os dois juntos formam o hábito que na prática salva mais ovos: confiar nos lembretes em vez do cálculo de cabeça.
Incubadora e nascedouro trabalhando juntos
Numa máquina combinada, o lote fica no mesmo gabinete do começo ao fim. Com máquinas separadas há uma quebra no processo, e é justamente isso que o aplicativo reproduz: ao criar o lote você já disse quais bandejas do nascedouro estão reservadas para ele, e no dia da transferência recebe o lembrete. No dia da eclosão você escolhe a incubadora e o número da bandeja, informa quantos filhotes nasceram e diz para qual criadeira eles vão. Desse número e dos ovos incubados sai o seu primeiro indicador, a taxa de viabilidade.
O que o aplicativo controla nisso tudo
Vale traçar aqui um limite claro, para você não sair procurando campos que não existem: temperatura, umidade e frequência de viragem o aplicativo não registra. Esses valores você acerta no aparelho, e é ali que eles pertencem — digitados uma segunda vez num telefone, não passariam de uma afirmação sobre o gabinete.
O que o aplicativo guarda são quantidades, recipientes e dias: que ovos estão em que bandeja de que máquina, com máquinas separadas as bandejas reservadas no nascedouro, e daí a contagem dos dias. Dela saem os lembretes, inclusive o que toca no plano de viragem: "Turn off auto-turner" — desligar o viramento automático. O aplicativo não interfere na máquina; ele cuida de você se lembrar na hora certa.
Sobre os nomes: incubadora e nascedouro carregam o mesmo tipo de recipiente, e a interface chama tudo de Tray. "Bandeja" e "bandeja de nascimento" designam, portanto, um único objeto — só que em pontos diferentes do percurso.
Duas regras que salvam sua estatística
Registre os acontecimentos na hora e no lugar — ovos colocados, filhotes nascidos, perdas na criadeira. Um número anotado dois dias depois é uma estimativa, e estimativa arruína a estatística de viabilidade. E use o botão de desfazer sem vergonha nenhuma: apagar a última ação leva um segundo e mantém seu histórico verdadeiro.
Com o primeiro lote rodando, o resto é rotina: registrar o dia da eclosão, filhotes para a criadeira, lançar as perdas todo dia. O que vem depois disso está no próximo capítulo.
4.Dia da eclosão: registrar, transferir, o primeiro indicador
O dia da eclosão é o primeiro do ciclo em que você pode contar algo que já não é ovo. Tudo o que veio antes era planejamento; agora aparece o primeiro número com que dá para trabalhar. No aplicativo o processo inteiro leva menos de um minuto — desde que você registre onde a coisa acontece, e não à noite na mesa da cozinha.
O que você lança neste dia
O QuailBreeder lembra você da data da eclosão, se tiver configurado isso: por notificações push no aparelho, por um calendário conectado ou pelos dois. As configurações ficam na aba Início (Home), em Configurações (Settings).
O lançamento em si tem três informações:
- Escolha a incubadora e o número da bandeja. Você diz ao aplicativo de que máquina e de que bandeja vêm os filhotes. Se você opera várias máquinas, é esse o ponto que mais tarde permite compará-las entre si.
- Informe quantos filhotes nasceram. Conta-se o que está vivo e de pé, não o que bicou a casca.
- Indique a criadeira em que os filhotes vão entrar. Assim o aplicativo sabe onde esses animais vivem daqui em diante — e, como você cadastrou a capacidade de cada criadeira na instalação, dá para ver no próprio dia da eclosão se o número que chega cabe mesmo ali. Quando a eclosão sai maior que o esperado, você fica sabendo antes de ter de improvisar, não depois.
Errar o dedo com as mãos frias não é drama: a última ação pode ser apagada com "Desfazer" (Undo).
Sobre os nomes: a interface conhece uma palavra só para o recipiente dentro da máquina — Tray. Estar na incubadora ou no nascedouro não muda nada nisso; o número que você escolhe no dia da eclosão é o número daquela bandeja. O lugar de criação a interface chama de Brooder.
O primeiro indicador: a taxa de viabilidade
Assim que a eclosão está registrada, você recebe seu primeiro indicador de desempenho. A taxa de viabilidade é calculada como a razão entre os filhotes nascidos e o número de ovos colocados para incubar.
Um exemplo: 200 ovos incubados, 148 filhotes nascidos — dá 74 por cento. Não há mais nada dentro do número, e é justamente aí que está a força dele. É difícil de maquiar, porque o denominador está fechado antes de qualquer coisa acontecer.
O que o número não diz. Ele não mede a taxa de fertilidade. Um ovo que nunca foi fecundado e um ovo cujo embrião morreu na segunda metade da incubação são iguais nessa conta: os dois entraram e nenhum dos dois deu filhote. Um valor baixo, sozinho, ainda não é diagnóstico. Ele diz que você tem de procurar — não onde. Para separar as duas coisas é preciso ovoscopar os ovos durante a incubação e anotar os inférteis à parte; só então dá para dizer se o problema está nas matrizes ou dentro da máquina.
Tampouco diz o número quantos desses filhotes atravessam as semanas seguintes. Essa é tarefa da criação e assunto do próximo capítulo.
Não existe campo separado para ovos inférteis ou mortos — e nem é preciso. Se você lançar menos filhotes do que os ovos que colocou, o próprio aplicativo pergunta pelo resto: "What about 37 eggs? — Add missing eggs to embrionic mortality records?" Diga sim e a diferença entra na lista de perdas deste lote como mortalidade embrionária, com máquina e bandeja como lugar.
Esse é o momento mais importante de todo o dia da eclosão. Quem diz não fica com um lote cujas contas não fecham: ovos que nem nasceram nem se perderam. Diga sim mesmo quando a causa não estiver clara — infértil, morto na casca ou quebrado a anotação distingue depois, mas o número em si tem de estar certo.
Depois disso
Lance o número enquanto ainda está de pé em frente à incubadora. Um número anotado de memória dois dias depois é uma estimativa, e estimativa arruína exatamente a estatística por causa da qual você usa o aplicativo. A partir do instante em que os filhotes estão sentados na criadeira, vale o registro diário — o dia da eclosão é o começo da curva, não o fecho dela.
5.Criação: as primeiras semanas e o registro diário
Na criação se decide quanto sobra da eclosão. A taxa de viabilidade, o número do capítulo anterior, deixa de ser um retrato do dia e vira tarefa: segurá-la e melhorá-la é o trabalho principal destas semanas. O aplicativo não ajuda fazendo algo no seu lugar — ele ajuda porque depois consegue mostrar de que foi que dependeu.
O que se registra todo dia
A criação tem duas entradas no QuailBreeder, e as duas cabem na mesma ronda diária pelo galpão:
- A mortalidade dos filhotes. As perdas se registram onde acontecem e no dia em que acontecem.
- Anotações sobre mudanças — alimentação, clima e o que mais tiver ficado diferente de ontem. Um lote novo de ração, uma fonte de calor abaixada, uma janela que passou a noite aberta, um bebedouro novo.
O segundo ponto parece acessório e não é. Sozinho, um número de perdas só diz que aconteceu alguma coisa. É a anotação ao lado que o transforma em causa. O campo existe exatamente para isso: os registros de mudanças na alimentação, no clima e afins facilitam a busca pela causa.
Por que diário e não semanal
Porque um valor fora da curva só salta aos olhos se a curva for fina o bastante. Um exemplo: você perde doze filhotes numa semana. Anotado por semana, isso é um número — doze — e, com alguma boa vontade, passa por mortalidade inicial normal. Anotada por dia, a mesma semana pode ficar assim: um, zero, um, oito, um, zero, um. A pergunta deixa de ser "estou perdendo filhotes demais" e passa a ser "o que houve de diferente naquele dia" — e quem responde é a sua anotação daquele dia exato.
Os números semanais alisam isso. Você não perde o total, perde o dia. E o dia é a única trilha que leva à causa.
Vale o mesmo para a hora e para o lugar. Registre a perda na criadeira em que ela ocorreu, e não no lote inteiro — senão depois não dá para separar se o problema está na genética, na incubação ou no seu aquecimento.
E registre na hora. Número anotado dois dias depois é estimativa. Para o toque errado existe o botão de desfazer; para a memória esburacada não existe nada.
Quando os números não têm explicação
Se as perdas se acumulam sem gatilho reconhecível, ou se os animais mostram sinais de doença — diarreia, ruídos respiratórios, penas arrepiadas, paralisia —, o caso não é do aplicativo nem de um manual. Procure o veterinário. O que o registro diário lhe dá nessa conversa, porém, vale muito: o dia exato em que começou, o número de animais atingidos e a lista do que foi mudado nos dias anteriores.
Depois disso
Quando os animais não precisam mais da fonte de calor e a criadeira fica apertada, a criação termina e o plantel passa para as gaiolas. Como isso se registra e o que observar está no próximo capítulo.
6.Plantel, gaiolas e densidade de alojamento
Uma hora os animais não precisam mais de fonte de calor e a criadeira fica apertada. Aí termina a criação, e o plantel se muda para onde vai ficar até o fim do ciclo: as gaiolas. No aplicativo isso não é um passo lateral, e sim o momento em que se decide para que esses animais estão sendo contados.
Locais: gaiolas com uma finalidade
No QuailBreeder, um local é um grupo de gaiolas com uma finalidade determinada. Exemplos típicos são gaiolas para as matrizes, gaiolas para a produção de ovos e gaiolas para a engorda de corte. Se isso é uma estante de gaiolas no galpão, uma sala inteira ou um único viveiro grande, tanto faz — o que conta é a finalidade, não a geometria.
A razão dessa divisão só aparece depois. As contagens de ovos se juntam por local de produção de ovos, o crescimento e a ração se registram onde vivem os animais em engorda, e as matrizes guardam a própria história. Quando você passa aves de uma criadeira para um local, o aplicativo fica sabendo para que essas aves servem — e a estatística continua separada, em vez de derreter numa média da qual não se lê mais nada.
Para o primeiro ciclo, um local por finalidade basta. Subdividir você pode sempre depois.
A mudança para as gaiolas
A mudança para as gaiolas corre pela lista de tarefas do lote: você escolhe "Engorda" (Fattening), informa o local e preenche as gaiolas livres naquele dia. É também aqui que dá para criar registros de sobrevivência.
Para o aplicativo poder dizer o que está livre, ele precisa saber o que está cheio. É esse o serviço do panorama de capacidade em tempo real: você vê na hora a ocupação e a disponibilidade atuais de todos os equipamentos críticos — incubadoras, criadeiras e gaiolas — e alinha a ele o planejamento dos próximos lotes. Quem trabalha com lotes sobrepostos não planeja a incubação, planeja o espaço que estará livre daqui a seis semanas. Só que esse panorama é honesto na medida das capacidades que você cadastrou na configuração. Meça direito uma vez em vez de estimar com otimismo.
Na interface essa unidade se chama Batch; este manual a chama de lote do começo ao fim. Estão documentados três caminhos para sair de um recipiente: da criadeira para as gaiolas de um local, das gaiolas para um pedido (abate e venda) e a passagem para as matrizes — para a qual o aplicativo mantém um passo próprio, "Breeding flock".
Contar machos e fêmeas separados
A partir do local, o aplicativo conhece não só um número de cabeças, mas também a divisão por sexo: machos e fêmeas podem ser lançados separadamente tanto na entrada quanto na saída. Quem só engorda não precisa disso e deixa em branco. Para o resto, é a base de duas coisas que de outro modo não se sustentam: a proporção de machos para fêmeas nas matrizes, e a postura por fêmea — uma contagem de ovos referida ao plantel inteiro, em vez das poedeiras, não vale nada.
A separação se faz na saída da criadeira, já que aí as aves passam uma a uma pela sua mão. Como reconhecer o sexo de uma codorna está na parte de conhecimento.
Saídas
Na gaiola vale o que valia na criação: toda perda se registra no dia em que ocorre. O aplicativo protocola e analisa cada perda por data, hora e a gaiola ou o local específico — é aí que os riscos de saúde se cercam mais rápido. Um padrão de perdas concentrado numa gaiola só é outra história que um espalhado pelo local inteiro. E um padrão que sempre cai na mesma hora do dia aponta para algo que acontece naquela hora: a alimentação, o sol na parede do galpão, a ventilação, o barulho. Sem a hora, você nunca enxerga isso.
A saída planejada é o abate; ele tem capítulo próprio. Quando por fim não resta nenhuma ave no lote, ele passa sozinho para o arquivo. Os lotes de produção concluídos somem do painel ativo, mas ficam guardados como registro — você mantém a visão do que está correndo e a comparação com o que já passou.
A venda de aves vivas corre pelo mesmo pedido do abate: você escolhe o local, as gaiolas e o número de aves, e o preço sai por peso ou por ave. A passagem para as matrizes é o segundo caminho. Uma entrega livre, sem documento — de presente, por troca —, não está prevista nas fontes de 2021; dá para reproduzi-la como pedido com o cliente "for myself" e preço zero.
7.Ração, conversão alimentar e a busca pelos fatores de sucesso
O QuailBreeder resume o propósito de todo esse registro numa frase só: isolar os fatores de sucesso. Avalie a conversão alimentar, as condições de criação e a densidade de alojamento para reconhecer o desempenho superior. A palavra que importa é "isolar". O alvo não é ter mais números, e sim ter números que se deixem comparar — e que por isso consigam responder a uma pergunta.
No fim de um ciclo, com todos os dados lançados, ficam abertas ao seu julgamento exatamente estas três grandezas: a qualidade da ração, as condições de criação e a densidade de alojamento nas gaiolas. Delas você enxerga onde os resultados ficaram abaixo da média e onde o desempenho foi superior. O aplicativo não promete mais que isso, e de um indicador não se deve esperar mais: ele diz onde você tem de olhar, não quanto vai ganhar.
Comparável quer dizer: mesmo período, mesmo grupo
Um número solto não significa nada. Significado só vem da comparação, e comparação só se sustenta se as condições estiverem anotadas. Para isso bastam três regras:
- Períodos iguais. Um grupo em três semanas e um grupo em cinco não se comparam, porque ave jovem converte ração melhor que ave mais velha.
- Grupos comparáveis. Idade parecida, origem parecida, pesos iniciais parecidos. Do contrário você mede genética e chama de ração.
- Uma mudança de cada vez. Se você troca a ração e ao mesmo tempo aloja as gaiolas mais folgadas, o ciclo melhor que vier não foi explicado, só ficou mais bonito.
Anote então o que você mudou, e anote no dia da mudança. Para a criação isso está expressamente previsto: o registro diário da mortalidade, junto com as anotações sobre mudanças de alimentação, clima e afins, facilita apurar as causas. É essa anotação a peça que depois separa uma observação de uma explicação.
| O que anotar | Por quê |
|---|---|
| Começo e fim do período | sem duração igual não há comparação |
| Número de aves no começo e no fim | as perdas mudam o denominador |
| Tipo de ração e data de cada troca | a mudança mais comum que passa batida |
| Local e plantel por gaiola | a densidade de alojamento é uma das três grandezas |
| Qualquer coisa fora do comum no clima | explica os desvios que sem isso ficam sem resposta |
O que estraga o número
É exatamente para isso que servem os registros de perdas: cada perda pode ser lançada e avaliada por data, hora e a gaiola ou o local específico, para que os riscos de saúde apareçam mais cedo. Mantenha esses lançamentos em ordem e você pelo menos conseguirá ler direito, depois, um período ruim.
O indicador que já está pronto
No dia da eclosão surge o seu primeiro indicador de desempenho sem nenhuma conta da sua parte: a taxa de viabilidade, a razão entre os filhotes nascidos e o número de ovos postos para incubar. Na criação, a tarefa principal passa a ser segurar esse valor e aumentá-lo. Tome-o como régua do que é um indicador utilizável: dois números, ambos registrados onde nascem, e um trecho de limites claros entre eles.
Os lotes concluídos vão para o arquivo sozinhos, de modo que o painel ativo continua limpo e os dados mais antigos seguem localizáveis. O arquivo é o seu material de comparação — desde que você tenha anotado, para cada ciclo, sob que condições ele correu.
Sobre a ração a resposta é curta, e serve para você não sair procurando: o aplicativo não registra quantidades de ração. Nem a ração colocada nem a sobra, nem por lote nem por local. Se você quiser saber o custo de ração por quilo de carne, leva essa conta fora dele — e o aplicativo fornece o dado que de outro modo falta a esse cálculo: quantas aves estiveram em quais gaiolas e em que período. Segue daí que o aplicativo também não calcula conversão alimentar. O que ele mostra em porcentagem é a mortalidade embrionária — perdas durante a incubação, contra os ovos incubados — e a ocupação das máquinas. Todas as demais perdas aparecem como contagem, separadas por estágio: Embryonics, Nestlings, Nestlings (finish), Fledglings, Fledglings (finish), Adults. A viabilidade você tira de dois números que estão os dois no lote: filhotes nascidos divididos por ovos incubados. Quanto à comparação: não há caminho de exportação para os números — nem planilha, nem arquivo — e tampouco uma tela que ponha dois lotes lado a lado. A comparação se faz abrindo os dois lotes e anotando os números um ao lado do outro. Para os três indicadores que contam isso basta; quem quiser analisar mais deve copiá-los para uma planilha própria no fechamento de cada lote.
8.Datas, lembretes e o seu próprio calendário
Uma criação de codornas tem poucas datas fixas, mas as poucas que tem não se movem. Por isso o QuailBreeder oferece sincronizar datas e prazos importantes com o calendário que você já usa — iCloud ou Google Calendar — e, além disso ou no lugar disso, mandar notificações personalizadas para o seu aparelho. O propósito é simples: o dia da eclosão precisa alcançar você mesmo num dia em que a sua cabeça está em outro lugar.
Onde ficam as datas fixas
Quem dá as datas é o processo, não o contrário. Ele começa quando os ovos entram na incubadora. Dali em diante a incubação corre com suas próprias exigências de temperatura, umidade e viragem — um período em que você não tem nada a decidir, só a conferir.
A primeira data de verdade é a transferência. Se você trabalha com incubadora separada (Setter), já ao criar o lote informa quais bandejas do nascedouro estão reservadas para ele. Com isso o dia da transferência fica marcado antes de ser preciso, e o aplicativo pode lembrá-lo em vez de deixar você contando para trás.
Depois vem a janela de eclosão. Uma eclosão não é um instante, é algo que se estende: os primeiros filhotes já estão fora enquanto outros ainda nem bicaram a casca. Você escolhe a incubadora e o número da bandeja, lança quantos filhotes de fato nasceram e informa em que criadeira eles vão. É justamente esse o dia que o aplicativo não quer que você perca — e o dia que produz um número impossível de reconstruir depois.
A terceira data é a saída da criadeira. Quando as aves vão para a engorda, você escolhe "Engorda" (Fattening) na lista de tarefas, informa o local e preenche as gaiolas livres naquele dia. Essa é a única das três datas que se deixa empurrar um ou dois dias, desde que a criadeira ainda aguente as aves. Planejada, ela lhe deixa o espaço de gaiola pronto antes de você precisar dele.
No fim está a data do abate. O que conta é que o plantel fique pronto para o abate dentro de 50 a 60 dias; passar disso é pagar ração por um ganho de peso que já quase não vem. Essa também é uma data que dá para escrever no calendário com boa antecedência.
| Data | Fica marcada assim que |
|---|---|
| Transferência para o nascedouro | o lote foi criado e iniciado |
| Janela de eclosão | o lote foi criado e iniciado |
| Saída da criadeira | os filhotes estão na criadeira |
| Abate | o dia da eclosão foi registrado |
Calendário ou notificação
Os dois caminhos existem, e um não exclui o outro. A notificação no aparelho chega na hora e depois some. O compromisso no calendário fica pousado numa data e continua ali — mesmo que você passe os olhos por ele duas vezes no dia sem ver.
Monte a conexão antes de o primeiro lote estar correndo, não depois. Um calendário conectado dois dias antes da eclosão já não tem as datas desse lote, que nasceram antes.
O que se cria não são duas datas, e sim todos os sinais que um lote produz pelo caminho. O aplicativo conhece oito ocasiões, e no calendário elas aparecem com o mesmo texto da lista de tarefas:
| Ocasião | Texto no aplicativo |
|---|---|
| Ovos incubados | Quantity of eggs |
| Preparar o nascedouro | Set up Hatcher on 1 day before finish setter |
| Dia da transferência | Transfer to hatcher |
| Desligar o virador | Turn off auto-turner |
| Dia da eclosão | Hatching & Growing up |
| Mudança para as gaiolas | Feeding |
| Pronto para o abate | Ready for slaughter |
| Passagem para as matrizes | Breeding flock |
O dia da transferência tem, portanto, um aviso de véspera como compromisso próprio — o nascedouro precisa estar aquecido antes de os ovos entrarem. E "Turn off auto-turner" é o compromisso mais fácil de esquecer e o mais caro de pagar. O aplicativo guarda o identificador de cada compromisso que cria no calendário e não lança a mesma data duas vezes.
Os dois se ligam e desligam de forma central, não por lote: nas configurações há um botão para o acesso ao calendário junto com a escolha do calendário, e outro para as notificações. Não existe botão separado para tocar um lote isolado sem lembretes — os lembretes pertencem ao lote tanto quanto a contagem dos dias.
9.Venda e faturamento
O QuailBreeder registra cada passo da operação — do ovo à fatura. A última parte dessa frase é para ser lida ao pé da letra: o documento do cliente não é um procedimento à parte, em outro programa, e sim o fim da mesma corrente que começou com os ovos que você pôs na incubadora.
Da ave ao documento
O caminho passa por um único documento. Para que o processo de abate comece, você precisa criar uma ficha de abate — uma ordem de processamento. Essa ordem cumpre um papel duplo: ela vale ao mesmo tempo como pedido de venda e é a base da fatura que sai do modelo e segue para o cliente.
Isso quer dizer, no dia a dia, que o que você tem de anotar no dia do abate de qualquer maneira — quais aves, quantas, de que plantel — já é metade da fatura. Os dados entram uma vez só, no dia em que surgem, e não à noite, de memória.
A fatura em si vem de um modelo. Você monta faturas com a sua marca em modelos inteiramente personalizáveis, e o modelo pode ser editado; links clicáveis funcionam. O que está escrito no modelo — seu nome, seu endereço, seus dados, a sua aparência — é decisão sua, e você a toma uma vez para todas as faturas que vierem depois.
Assim que um lote fica vazio, ou seja, quando não resta nenhuma ave nele, ele vai para o arquivo sozinho. Lotes de produção concluídos são arquivados para que a visão ativa continue limpa e os dados antigos sigam localizáveis. Para o faturamento isso tem um efeito colateral agradável: a venda continua ligada ao lote de onde ela saiu.
O que este aplicativo não faz
Aqui clareza vale mais do que conforto. O QuailBreeder produz um documento a partir dos números que você digita. Ele não presta assessoria fiscal e não verifica se a sua fatura atende às exigências que valem para você.
Que dados obrigatórios uma fatura precisa carregar muda de país para país, e depende ainda de como a sua operação é classificada para fins fiscais, de para quem você vende e em que escala. Vale o mesmo para o prazo de guarda dos documentos e para a pergunta de se a venda de carne ou de ovos, no seu caso, puxa exigências adicionais. Quem responde a isso é o seu contador ou o órgão competente — não um manual e não um aplicativo. Resolva isso uma vez, antes de escrever a primeira fatura, e leve o resultado para o seu modelo. Daí em diante o modelo trabalha por você.
Na ordem em que acontece
- Crie a ficha de abate, ou seja, a ordem de processamento — sem ela o processo de abate não começa.
- Use a mesma ordem como pedido de venda, com comprador, quantidade e preço.
- Gere a fatura a partir do modelo e envie ao cliente.
- O lote esvaziado vai para o arquivo por conta própria.
Quatro passos, três dos quais já fazem parte do dia do abate. O único trabalho extra aparece uma vez só, na hora de montar o modelo.
O documento sempre sai de uma ordem, e a ordem sempre sai de aves em gaiolas: você escolhe o local e as gaiolas, informa o número de aves e cobra por peso ou por cabeça. Abater as aves ou entregá-las vivas não muda nada para o documento — é o mesmo procedimento. Não existe documento para a venda de ovos; o aplicativo não trata ovo como mercadoria. Cadastro de clientes existe: por cliente, nome, endereço, telefone e um desconto em por cento que entra na ordem sozinho. Os dados são digitados uma vez e depois apenas selecionados. Se você vende para si mesmo — a sua própria mesa, abate doméstico —, o aplicativo põe "for myself" sem que nenhum cliente seja escolhido; o lote fica assim inteiramente contabilizado, sem que você precise inventar um comprador.
A conta é simples: o subtotal é preço vezes quantidade (por quilo ou por ave), dele sai o desconto do cliente, e isso dá o total. Campos para alíquotas ou para imposto sobre a venda não estão documentados: o documento conhece preço, quantidade, peso, desconto e total. Se a sua operação recolhe imposto sobre a venda, a contabilidade vai precisar de uma fatura emitida por outro programa — o documento do aplicativo é um demonstrativo para o cliente, não um documento fiscal.
10.Manter os dados limpos: arquivar em vez de apagar
Depois do terceiro ou quarto ciclo aparece uma pergunta que ninguém faz no primeiro dia: o que fazer com tudo o que já acabou? Lotes vendidos há muito tempo, criadeiras paradas e vazias há meses, registros de perdas de um verão de que você mal se lembra. A reação óbvia é fazer faxina. A certa é arquivar.
O que o aplicativo faz sozinho
O QuailBreeder arquiva por conta própria os lotes de produção concluídos. Com isso o painel ativo continua limpo, e os dados seguem acessíveis a longo prazo. O gatilho você já conhece do fluxo de trabalho: assim que não resta nenhuma ave no lote, ele passa para o arquivo. Não é preciso apertar nada nem decidir nada — a última venda cuida disso.
Ou seja: o que você vê no painel é o seu trabalho de hoje. O que você não vê mais é o seu trabalho de antes, e ele está guardado por inteiro.
A lista de lotes na aba Records tem o título "Current batches" e mostra os lotes em andamento. Um lote concluído recebe uma marca interna de "não está mais ativo" e sai daquela lista — que é justamente o sentido de arquivar: a lista fica curta o bastante para ser lida de relance, no galpão, de manhã.
"Fora de vista" e "sumiu" são duas coisas diferentes
A diferença soa acadêmica até você confundir as duas uma vez.
Um lote arquivado sumiu da vista, não dos registros. A contagem de ovos, a eclosão, as perdas, o local e a fatura continuam lá, intactos. Dado apagado, ao contrário, some — e com ele some a única régua que uma criação tem: ela mesma, num momento anterior.
Um exemplo que todo mundo conhece. A sua taxa de eclosão nesta primavera está pior que de costume. Por quê? As matrizes, a máquina, a estação do ano, uma nova fonte de ovos? Essa pergunta só tem resposta se existir um "de costume". O lote de dois anos atrás, no mesmo mês, da mesma incubadora, não é peso morto — é a régua. Apague-o e você volta a chutar.
Número errado se corrige, não se remove
Não confunda cuidado com os dados e cosmética de dados. Um erro de digitação percebido logo depois de lançar é caso para o botão "Undo", que apaga a última ação — é para isso que ele existe, e você deve usá-lo sem hesitar.
Um lote que foi mal é outra história. O ciclo ruim é o registro mais valioso que você tem; é o único de que dá para aprender alguma coisa. Tirá-lo do caminho para a estatística ficar mais simpática engana a única pessoa que lê esses números.
São duas ferramentas, e cada uma alcança uma distância. Desfazer (Undo) retira a última ação enquanto você ainda está dentro do procedimento — o jeito de resolver o toque errado. Depois que um registro foi salvo, quem resolve é apagar: registros isolados de perda e de ocupação podem ser removidos ("Delete record", com o aviso explícito "This operation cannot be undone"), e então você lança o valor certo de novo. Um lote inteiro também pode ser apagado.
Alterar um registro salvo no lugar — sobrescrever o número — não está previsto. Isso não é obstáculo, é uma decisão a favor da rastreabilidade: uma perda que depois se reescreve em silêncio não vale nada como registro. Para corrigir, você apaga e lança de novo, e isso fica visível.
O que se mostra valioso depois
O que vem a seguir vem da prática, não de um regulamento. O que você é obrigado a registrar depende da lei do seu país e do seu município — é o assunto do último capítulo.
O hábito que faz diferença
Registre os acontecimentos onde eles acontecem, e quando acontecem. Um número anotado dois dias depois, de memória, é estimativa, e estimativa estraga justamente os indicadores por causa dos quais você usa o aplicativo. A taxa de viabilidade de um lote vale tanto quanto o pior número que entra nela.
Ao fechar um ciclo, passe rápido pelos quatro pontos:
- Todas as perdas estão registradas, inclusive os filhotes isolados dos primeiros dias?
- Cada perda informa a gaiola ou o local, e não só a data?
- A quantidade vendida está completa, para que o lote entre limpo no arquivo?
- Existe uma anotação sobre o que foi diferente neste ciclo?
Depois disso você pode perder o lote de vista sem susto. Ele não sumiu — está esperando o dia em que você vai precisar dele.
11.Perguntas frequentes e o que conferir primeiro
A maior parte das dúvidas sobre o aplicativo não é defeito do aplicativo, e sim lacuna nos registros. Este capítulo reúne os casos que de fato aparecem no dia a dia e diz, para cada um, o que você deve conferir primeiro.
Números e realidade
O app mostra mais aves do que há no galpão
Quase sempre falta um registro, não é falha do programa. Volte pelas perdas dos últimos dias: filhotes isolados nas primeiras semanas são vistos de manhã, retirados e esquecidos até a noite. É exatamente para isso que serve o registro diário — e exatamente por isso ele deve acontecer na gaiola, não na mesa da cozinha. Confira também se a passagem da criadeira para um local foi lançada por inteiro, e se uma entrega parcial a um cliente foi registrada.
O app mostra menos aves do que há no galpão
Em geral o número da eclosão foi lançado baixo demais, ou filhotes de duas bandejas foram colocados numa criadeira só e apenas uma delas foi anotada. Compare o número de eclosão que você digitou com o que teve nas mãos no dia da eclosão.
Um lote sumiu do painel
Esse é o caso normal, não uma perda. Se não resta nenhuma ave no lote, ele passa sozinho para o arquivo; os dados ficam guardados e seguem acessíveis. Se um lote some antes do esperado, provavelmente a última entrega foi registrada como total, embora ainda haja aves ali.
Alguma coisa foi parar no lugar errado
O lote está rodando na incubadora errada
Confira primeiro se o lote já foi iniciado. Enquanto os ovos ainda não entraram na máquina, dá para criar um lote também depois do fato; a partir daí essa opção não existe mais. Se a incubação já começou, trata-se de corrigir um processo em andamento.
O que está documentado: um lote em andamento pode ser editado — você o abre na lista de lotes, e ali estão a distribuição dos ovos pelas bandejas, as bandejas do nascedouro e as anotações. Registros isolados podem ser apagados e lançados de novo.
Mais importante na prática do que o lançamento é a consequência: se a máquina é uma incubadora (Setter) sem função de nascimento, você precisa de bandejas de nascimento para os últimos dias. Resolva primeiro onde os ovos vão fisicamente eclodir, e depois acerte o lançamento.
Os filhotes estão na criadeira errada
Decida primeiro se você quer mudar as aves de lugar ou mudar o lançamento. Mudar as aves é tranquilo nos primeiros dias, desde que o calor no destino já esteja de pé; mais importante é não estourar a capacidade da criadeira de destino, porque superlotação nas duas primeiras semanas é uma das causas de perda evitáveis mais comuns.
Na prática vale o mesmo caminho de todos os registros salvos: apague o registro de ocupação errado e atribua o grupo de novo. Mover aves entre duas criadeiras como procedimento próprio não está documentado.
O app avisa de superlotação embora ainda haja espaço
Então o catálogo guarda um número diferente do que você tem na cabeça. Os avisos valem tanto quanto as capacidades que você digitou uma vez. Meça a criadeira de novo e corrija o valor do catálogo — e ponha ali o número que se sustenta a longo prazo, não o que dá para aguentar numa noite fresca.
Um indicador parece impossível
A taxa de viabilidade está estranhamente alta
O valor é a razão entre os filhotes nascidos e o número de ovos postos para incubar. Um valor bom demais nasce, portanto, quase sempre no denominador: ovos foram acrescentados sem que a quantidade do lote subisse, ou ovos não fecundados foram retirados antes da eclosão e descontados da contagem do lote. Confira o número de ovos incubados antes de comemorar o resultado.
A taxa de viabilidade está estranhamente baixa
Aqui o suspeito é o numerador: filhotes que chegaram no segundo dia da eclosão e nunca foram acrescentados faltam para sempre. Confira também se perdas de eclosão não foram contadas duas vezes sem querer — uma vez como não eclodidos, outra como perda na criadeira.
O período de engorda não bate com os números
Conte a partir da data de eclosão do lote, não da data em que as aves entraram na gaiola. Como regra prática, conta-se com ponto de abate por volta de 50 a 60 dias; se o seu lote está bem acima disso, ração, densidade de alojamento e instalação são os pontos que o ciclo concluído torna comparáveis.
Lembretes e datas
O lembrete do dia da transferência não chegou
Confira nesta ordem: as notificações estão mesmo ativadas nas configurações, na aba Início (Home)? Você escolheu notificação push, a conexão com o calendário ou as duas? E o seu aparelho permite que o app envie notificações? Quando a operação é compartilhada, a conexão com o calendário costuma ser a opção mais confiável, porque todos os envolvidos veem o mesmo compromisso.
Se nada disso serve
Descreva o caso na central de suporte: você abre um chamado com assunto, categoria e prioridade, informa o que esperava e o que aconteceu, e recebe uma primeira resposta em até 24 horas.
12.O que você tem de resolver fora do aplicativo
Este capítulo não responde a uma única pergunta jurídica, e isso é de propósito. Os deveres de comunicação e de cadastro para quem cria aves, as condições para vender ovos e aves vivas, a rotulagem, o abate e as exigências de higiene são regulados de maneira diferente conforme o país, o estado e o município. O que vale para um criador a duas cidades de distância não precisa valer para você — e conselho de fórum é, na dúvida, a parte mais cara da sua operação.
O que este capítulo consegue fazer é mostrar quais perguntas você tem de fazer, a quem fazê-las e quando. Com isso você fica em condições de agir, sem que ninguém aqui lhe dê uma informação que não pode dar.
O que o QuailBreeder é nesse assunto
O aplicativo mantém registros: lotes, plantéis, locais, perdas por data e lugar, fichas de abate e faturas. Isso é um diário da operação, não prova de regularidade. Se os seus registros têm a forma e o alcance que a autoridade espera de você, quem decide é a autoridade — não o software e não este manual. O proveito prático, ainda assim, é grande: apresentar plantel, período e origem em poucos minutos, quando perguntam, coloca você numa conversa bem diferente da de quem chega com uma caixa de papéis soltos.
As perguntas e a quem dirigi-las
As instâncias abaixo são os pontos de contato usuais no espaço de língua alemã; na Áustria e na Suíça elas têm outros nomes e são em parte recortadas de outro jeito. Na dúvida, procure o órgão responsável pelo lugar onde você mora e faça a ele as mesmas perguntas.
| A quem perguntar | O que perguntar |
|---|---|
| O serviço veterinário oficial do seu município ou estado | Preciso comunicar ou registrar a minha criação de codornas, a partir de que número de aves e em que cadastro? Que registros sobre plantel, compras, saídas e perdas vocês esperam de mim? O que vale para o meu plantel em caso de surto de doença animal e de ordem de confinamento das aves? Preciso apresentar algum comprovante ao comprar aves ou ovos férteis? |
| A fiscalização oficial de alimentos, em geral no mesmo órgão | Em que condições posso fornecer ovos — na porteira, em feira, para lojas ou para restaurantes? O que vale para a carne de abate próprio, e onde termina o fornecimento em pequena escala? Que exigências valem para instalações, refrigeração e limpeza? |
| O órgão de fiscalização municipal ou a prefeitura e, quando for o caso, o setor de licenciamento de obras | A criação é permitida no meu endereço, em que tamanho, e há exigências de distância, ruído, odor ou construção? Preciso de licença para um galpão ou para viveiros? |
| A câmara de agricultura ou uma entidade de assessoria comparável | Nesse porte eu conto como produtor rural ou como criador amador, e o que isso muda? Que questões de cadastro, de seguro e de contribuições vêm daí? Existem serviços de assessoria ou qualificação obrigatória para a criação? |
| Contador | A partir de quando a minha venda passa a ter efeito fiscal, e sob que tipo de rendimento? Preciso abrir empresa, e como isso se separa da atividade rural? O que tem de constar das minhas faturas? |
| Seu veterinário | Que prevenção, exames e comprovantes fazem sentido ou são exigidos para o meu plantel? A quem eu comunico perdas fora do comum? |
Formule as perguntas de forma concreta, não em termos gerais. "Posso criar codornas" rende uma resposta inútil; "eu crio cerca de 200 codornas num quintal deste município e quero vender ovos na porteira — do que preciso para isso" rende uma resposta com que dá para trabalhar.
O momento
Resolva isso antes da primeira venda, não depois. É o único conselho deste capítulo que vale em todo lugar: enquanto você cria para a própria mesa, a sua situação é simples; no momento em que o primeiro ovo ou a primeira ave sai do quintal por dinheiro, a classificação muda — e isso é difícil de consertar depois. O mesmo exercício deve se repetir quando você aumentar bastante a escala, abrir um segundo local, comprar aves pela primeira vez ou passar da venda direta para feiras e comércio.
Leve números para a conversa, não intenções: plantel atual e planejado, número e tipo de locais, se é ovo ou carne, para quem e em que quantidades. São exatamente esses os dados que você tem no aplicativo. Depois, registre por escrito com quem falou, quando, e o que lhe disseram; com regras que mudam, esse é o seu único ponto de apoio.
E para não faltar nada: com aves doentes, ou morrendo em número que chame atenção, quem responde é o veterinário, não o manual e não o aplicativo. O aplicativo ajuda você a entregar os fatos a ele — quando, onde e quantas perdas aconteceram. O resto é a profissão dele.