Criar codornizes

Como abater e processar codornas — preparação, procedimento, higiene

Jejum pré-abate, espaço e ferramentas, o procedimento em etapas, depenar ou retirar a pele, evisceração, resfriamento e maturação, e o que checar antes.

Abater codorna é trabalho manual que leva poucos minutos por ave; o esforço está na preparação antes e na limpeza depois. Se você planeja fazer isso pela primeira vez, resolva duas coisas antes. Com o serviço veterinário oficial da sua região: que exigências valem para capacitação, procedimento e comunicação — as regras mudam de estado para estado e de município para município —, e quem vai ficar ao seu lado e orientar na primeira vez. Todo o resto é um procedimento calmo, ferramenta limpa e uma cadeia de frio que não se rompe.

O que resolver antes da primeira vez

Esta página descreve um procedimento de trabalho. Ela não diz o que vale no seu município, e não teria como: capacitação, insensibilização, obrigação de comunicar, repasse de carne e destinação dos restos são regulados de formas diferentes, e essa informação vem do órgão competente. Pergunte ao serviço veterinário oficial que capacitação se exige para matar aves do próprio plantel e como obtê-la, se e onde é preciso comunicar alguma coisa, que exigências valem quando a carne vai sair da propriedade e como os restos de origem animal devem ser destinados na sua região.

O segundo ponto pesa mais do que qualquer descrição: peça a alguém que saiba fazer para mostrar a primeira vez — um criador da região, um curso, uma associação. Insensibilização e sangria se aprendem em meia hora ao lado de quem tem prática, e nunca com segurança a partir de um texto. Começar inseguro significa fazer o animal sofrer.

Preparação: as aves

Jejum pré-abate. Papo vazio e intestino vazio mantêm limpo o procedimento seguinte, porque sai menos conteúdo na hora de eviscerar. Na prática, a ração é retirada na véspera à noite e o abate acontece de manhã — uma noite de umas oito a doze horas. A água fica disponível o tempo todo: sede é estresse.

Manejo calmo. Pegue as aves na penumbra ou de manhã cedo, quando elas já estão pousadas. Nada de correria pelo viveiro, nada de agitação no plantel. Leve uma a uma ou numa caixa pequena e coberta, e mantenha as aves que esperam tranquilas e fora do campo de visão do local de trabalho.

Escolha o dia. Fresco é melhor que quente. Numa tarde quente você trabalha contra o relógio, porque a carne ganha temperatura mais rápido do que você consegue baixar.

Preparação: espaço e ferramentas

Deixe tudo montado antes de buscar a primeira ave — procurar alguma coisa no meio do serviço é o começo do trabalho sujo.

  • Duas zonas separadas. Uma suja para insensibilização, sangria e depena; uma limpa para evisceração, corte e embalagem; entre as duas, troque as luvas e lave as mãos. Se elas se misturam, você leva germes de intestino e de pena para a carne pronta.
  • Superfícies laváveis. Aço inox, placa de plástico, no aperto uma mesa com uma lona firme por cima. Madeira com frestas abertas é a pior escolha aqui.
  • Ferramentas. Uma faca pequena, de fio realmente afiado e lâmina firme, uma segunda de reserva, tesoura para aves, chaira. Lâmina cega é a causa mais comum de acidente.
  • Água. Água corrente para lavar as mãos, água fria numa bacia; se for escaldar, uma panela e um termômetro.
  • Resfriamento. Uma bacia com água e gelo para as aves prontas e espaço na geladeira para o resto do dia.
  • Um recipiente para os restos. Que feche bem e fique no fresco até a destinação estar resolvida.

O procedimento em etapas

  1. Busque uma ave. Sempre uma só, carregada com calma, asas junto ao corpo.
  2. Insensibilização. A ave precisa estar seguramente inconsciente antes da sangria, e a insensibilização tem de pegar na primeira tentativa. Que método cabe no seu caso e como se conduz o movimento é coisa para alguém mostrar ali, ao vivo.
  3. Sangria. Logo depois da insensibilização, sem pausa nenhuma no meio, dentro de um recipiente já preparado.
  4. Deixe escorrer. Pendure a ave de cabeça para baixo ou acomode-a num cone até não vir mais sangue — em codorna, questão de poucos minutos. Uma boa sangria aparece depois na carne clara, e ela alarga a validade. Só então começa o processamento.

Para as primeiras aves, reserve o dobro do tempo que planejou, e prefira dois turnos a um só apressado.

Depenar ou retirar a pele

As duas coisas são usuais; a decisão depende do que a ave vai virar.

AspectoDepenarRetirar a pele
ResultadoAve inteira com peleAve sem pele, quase sempre cortada em partes
Tempo por avebem mais longomuito rápido
Assar, grelharservea carne resseca com mais facilidade
Sopa, ensopadoserveserve muito bem
Trabalho no localpanela de escaldagem, penas, limpezaquase nenhum

Na depena, uma escaldagem curta facilita muito o serviço: a ave é mergulhada por poucos segundos em água quente e então depenada. Codorna é pequena e tem pele fina — escaldagem quente demais ou longa demais rasga a pele, e água morna de menos não solta a pena. Vá tateando na primeira ave, em vez de pegar um número de um manual de frango.

A retirada da pele se faz sem água: em codorna recém-abatida, a pele solta com facilidade no peito e no dorso. Para quem processa números maiores e de todo modo só usa peito e coxas, esse é o caminho mais rápido.

Evisceração e o que se aproveita

A evisceração acontece na zona limpa, com as mãos limpas e faca trocada. Você abre a cavidade abdominal, tira o pacote intestinal inteiro e solta papo e traqueia no pescoço. Trabalhe devagar o bastante para o intestino não romper — cada rasgo significa lavar, e carne lavada conserva pior.

Coração, moela e fígado dá para guardar. A moela se abre, se esvazia e se puxa a membrana interna; do fígado se retira a vesícula com cuidado, porque se ela estoura o fígado se perde. Pescoços e carcaças rendem um caldo forte. As miúdas vão direto para um recipiente próprio e resfriado, não de volta para dentro da ave.

No fim, lave só o necessário e seque com papel. A água não leva germe embora, ela espalha, e superfície úmida é a melhor base para germe se multiplicar.

Resfriar, maturar, embalar

As aves prontas vão imediatamente para a água com gelo, até esfriarem por inteiro — em codorna isso é rápido. Depois, escorrer e secar.

Em seguida vem a maturação: de algumas horas a mais ou menos um dia, coberta sem apertar, na geladeira, sobre uma grade apoiada num prato. Logo depois do abate a carne está rígida; só depois ela fica macia. Congelar na hora é congelar junto essa fase — e depois estranhar o peito duro.

Para embalar: em porções, do jeito que você vai cozinhar depois. Sacos ou vácuo, expulse o ar, data e quantidade em cada embalagem, miúdas à parte. Congele deitado, para a mercadoria congelar por inteiro rápido e continuar empilhável.

Limpeza e restos

Limpe no mesmo dia, enquanto nada secou. Primeiro tire o grosso, depois lave com água quente e detergente, depois deixe secar — limpeza antes de desinfecção, porque nenhum produto age sobre resto de sujeira. Facas, tesoura, tábuas e bacias à mão; os tecidos, lavados quentes. Pena, sangue e água de lavagem não têm lugar no chão por onde as aves andam.

Para os restos vale o mesmo do começo: como os subprodutos de origem animal devem ser destinados na sua região, quem diz é o serviço veterinário oficial ou o serviço de coleta de resíduos. Até essa informação chegar, eles ficam no fresco e fechados — deixados abertos, atraem ratos, raposas e moscas.

Anotar no fim quantas aves de qual eclosão foram processadas, que idade tinham e que peso saiu dali dá, na próxima rodada, uma base em vez de uma lembrança.