Montar o galpão de codornas — espaço, cama, banho de areia, segurança
Quanto espaço a codorna precisa de fato, por que o teto baixo é a escolha segura e o que cama, banho de areia, cobertura e tela contra marta resolvem.
Um galpão de codornas precisa de pouco, mas esse pouco tem de ser feito direito: área suficiente por ave, um piso seco com cama, um banho de areia, cobertura para a ave se recolher, vários pontos separados de ração e de água e um fecho que segure até contra uma marta. A altura é secundária e, no caso da codorna, fica de propósito baixa. Tudo o que passa disso é conforto para quem cuida, não para as aves.
Espaço por ave
De quanta área uma ave precisa é a primeira pergunta e a que mais se responde errado. Na criação de estimação costuma-se contar cerca de 0,2 a 0,3 metro quadrado de piso útil por ave; em viveiro fica bem acima disso, em sistemas comerciais bem abaixo. Essa faixa é uma grandeza de experiência, não uma norma.
O que a lei exige não está escrito aqui. Medidas mínimas, registro e exigências de higiene são regulados de forma diferente por estado e por município, e o que vale é a informação do serviço veterinário oficial da sua região ou da prefeitura. Pergunte lá antes de construir — uma consulta custa um telefonema, uma reforma custa um fim de semana.
Dois complementos que na prática pesam mais do que o metro quadrado seco:
- Útil quer dizer útil. A área embaixo do comedouro, do bebedouro e da bandeja de banho de areia não conta. Somando-a, você aloja mais apertado do que imagina.
- O grupo também decide. Machos demais deixam qualquer área pequena. O usual é um macho para três a cinco fêmeas; quem não vai incubar mantém grupos só de fêmeas, sem nenhum macho — muitas vezes a variante mais tranquila.
Altura: por que baixo é vantagem
Ao se assustar, a codorna voa quase na vertical, sem corrida e sem controle de direção. Num galpão alto ela ganha velocidade nesse voo e bate com a cabeça no teto — lesão de cabeça é o acidente evitável mais comum na criação de codornas.
Daí saem duas soluções limpas e uma zona perigosa no meio:
- Construir baixo. Tão baixo que o voo nem seja possível; na prática, esses galpões ficam na casa de 30 a 50 centímetros de altura interna. Para uma ave de chão isso não é privação: codorna não precisa de poleiro nem de andares para subir.
- Construir alto e amaciar o teto. Da altura de um homem para cima, uma rede ou uma tela fina esticada sob o teto duro amortece a pancada.
- No meio — mais ou menos da altura do joelho à da cintura, com teto duro — está exatamente a zona em que a ave toma impulso e bate sem freio.
Quem constrói baixo tem de pensar em si mesmo desde o começo: uma tampa removível ou um alçapão grande sobre toda a área. Galpão em que só dá para enfiar o braço por uma portinhola não é limpo, é adiado.
Piso e cama
Piso de tela não serve para a criação de fundo de quintal. Custa às aves tudo o que forma o comportamento delas — ciscar, tomar banho de areia, bicar o substrato — e favorece lesões nos dedos e nas almofadas dos pés. A área inteira vai coberta de cama.
O que está por baixo decide o cheiro. Madeira crua encharca e, depois de uma temporada, cheira para sempre; ponha uma bandeja, uma manta de PVC ou uma chapa e espalhe a cama por cima. Se o galpão fica sobre o chão de terra, embaixo entra uma barreira contra escavação.
Como cama funcionam bem a maravalha de pouca poeira, a cama de palha de cânhamo ou de linho e a casca de espelta, com altura que dê para ciscar. Feno úmido e casca de pínus seguram água e mofam. Para o dia a dia vale: seco vence espesso — uma camada fina e seca é melhor do que uma grossa e úmida.
O banho de areia
A codorna cuida da plumagem com poeira seca e fina. A poeira absorve o excesso de gordura da pele, que de outro modo gruda as penas, e atrapalha piolhos de pena e ácaros por pura ação mecânica. O banho de areia é, portanto, cuidado da pena e prevenção ao mesmo tempo, não distração.
- O que vai dentro: areia seca e fina, areia de parquinho ou areia para pássaros, por exemplo. Muita gente mistura um pouco de terra seca de jardim ou cinza fria de madeira não tratada.
- A terra de diatomáceas é muito recomendada e funciona contra ácaro, mas é uma poeira fina que também sobrecarrega o pulmão da ave e o de quem cuida. Use com parcimônia, nunca na caixa fechada, e jamais levante a poeira no ar.
- O recipiente: raso, de borda baixa, mas largo o bastante para a ave girar inteira dentro dele e se deitar de lado.
- Mantenha seco. Areia molhada não é banho de areia. A bandeja fica melhor coberta e longe do bebedouro.
Cobertura e anteparo visual
Codorna é ave de chão, vinda de terreno cheio de cobertura. Uma área vazia e iluminada por igual não é espaço para ela, é exposição — o grupo fica inquieto e se comprime contra as paredes. Estrutura não custa quase nada:
- Galhos em pé, tufos de capim, punhados de feno, um arco de vime, uma caixa deitada de lado, um pedaço de tábua atravessado sobre duas pedras.
- Sempre duas saídas. Esconderijo com uma abertura só vira beco sem saída, em que a ave de posição baixa é encurralada e perseguida.
- Um canto escuro e sossegado vira o lugar preferido de postura. Codorna não constrói ninho, mas põe de preferência em cobertura — e aí você acha os ovos num lugar, e não em doze.
Pontos de ração e de água
A regra é: mais pontos do que o necessário, espalhados pelo ambiente, nunca todos no mesmo canto. Onde tudo se concentra num ponto só, forma-se um gargalo que as aves dominantes ocupam — e quem mais precisa chega por último.
- Pelo menos dois pontos separados de ração, mais do que isso em grupos maiores. Como regra de bolso, cerca de um terço do grupo deve conseguir comer ao mesmo tempo.
- Instale na altura do dorso das aves ou levemente elevados. Isso economiza ração, porque menos coisa é ciscada para fora, e mantém as fezes fora do prato.
- No bebedouro, os dois sistemas têm seu lado: prato se explica sozinho, mas suja e molha a cama. Bebedouro de nipple ou de copo fica limpo, mas uma falha só se percebe quando as aves já estão com sede. Se você for trocar, ofereça os dois por um tempo.
- Para os filhotes, encha todo bebedouro aberto com bolinhas de gude ou pedrinhas, para que não se afoguem.
Segurança contra predadores
Um galpão de codornas é mesa posta para marta, rato, doninha, raposa, gato e ave de rapina. A maior parte das perdas acontece de noite.
- Tela de viveiro em vez de tela hexagonal. A malha hexagonal se abre e se rasga. Tela soldada é o equipamento de base, embaixo bem fechada, para que rato ou doninha não passem.
- Espessura do fio antes da abertura da malha. Malha fina, mas de fio fino, não adianta nada se o arame cede.
- Pense de baixo. Raposa e rato cavam. Ou tela sob toda a área, ou uma faixa dobrada em L para fora, com peso em cima e enterrada.
- Trincos que exigem dois movimentos. Marta abre trinco simples de correr e de girar. Mosquetão, tarjeta com trava ou ferrolho com contrapino seguram. As portas devem fechar rentes.
- Telhado fechado. Contra ave de rapina e contra chuva ao mesmo tempo.
- A ronda da noite é a proteção mais barata: dar uma volta no galpão e pôr a mão em cada fecho.
Limpeza: diária, semanal, rara
| Ritmo | O quê | Por quê |
|---|---|---|
| Diária | Recolher os ovos, enxaguar e encher o bebedouro, tirar os pontos molhados da cama, olhar cada ave | Umidade é o começo de quase todo problema, e só quem olha todo dia enxerga um desvio |
| Semanal | Revolver a cama e trocar parte dela, peneirar o banho de areia e completar, passar o pano nos recipientes de ração, escovar o bebedouro | Biofilme no bebedouro não sai com enxágue |
| A cada poucas semanas | Trocar a cama inteira, lavar o piso e deixar secar, conferir as frestas | De dia o ácaro vermelho não fica na ave, fica nas frestas |
| Anual | Limpeza a fundo, verificar arame, trincos e madeira | O material se cansa justamente onde ninguém olha |
Duas observações sobre isso. Desinfetante só funciona em superfície limpa e seca — aplicado sobre sujeira, é dinheiro perdido. E se você encontra grumos cinzentos ou avermelhados nas frestas, as aves ficam inquietas de noite e a pele da cabeça está pálida, converse sobre diagnóstico e tratamento com o veterinário, em vez de tratar no chute.