Criar codornizes

Codornas no inverno — frio, luz e a pausa de postura

Codorna aguenta melhor a geada do que a umidade e a corrente de ar: como levar galpão, cama, bebedouro, ração e luz pelo inverno inteiro sem aquecimento.

Codorna aguenta o frio bem melhor do que a maioria dos criadores imagina no primeiro inverno. O que faz mal a ela não é a geada, e sim a umidade e a corrente de ar — e as duas nascem, em regra, dentro do próprio galpão, não lá fora. Então, se você quer melhorar alguma coisa no inverno, mexa na secura e no caminho do ar, não no aquecimento.

Por que a geada pesa menos que a umidade

Uma ave sadia, adulta e de plumagem completa carrega o isolamento consigo: as penas prendem uma camada de ar, e é esse ar que a mantém aquecida. Duas coisas destroem isso. A umidade faz a plumagem grudar, e pena molhada não isola mais. A corrente de ar simplesmente varre a camada quente — uma ave parada na corrente de ar passa mais frio a zero grau do que uma ave seca no ar parado sob geada forte.

Em galinha você se preocupa com crista e barbelas, porque ali há pontas sem pena expostas ao frio. Codorna não tem nada disso. Ela também fica no chão, e não num poleiro, de modo que os dedos ficam aquecidos sob a plumagem da barriga. Congelamento de extremidades não é problema real em codorna — problema respiratório causado por ar úmido e carregado de amônia, esse sim.

Três grupos pedem cautela: aves jovens sem plumagem pronta, aves em plena muda e aves debilitadas. Ao planejar o plantel, cuide para que a muda termine antes da primeira geada forte. Uma ave que ainda está criando pena em dezembro pede olhar mais de perto.

Galpão: seco, sem corrente de ar — e ainda assim ventilado

O erro mais comum do inverno é bem-intencionado: fecha-se o galpão por inteiro, entopem-se as frestas, baixam-se as escotilhas. Isso segura o calor, mas segura todo o resto junto. Sem corrente de ar e hermético não são a mesma coisa.

  • Corrente de ar é movimento dirigido do ar na altura das aves, sentido com a mão logo acima da cama. Isso tem de sumir.
  • Ventilação é troca de ar acima da cabeça das aves. Isso tem de existir.

Na prática: feche bem o lado do vento ou o proteja com uma tábua, uma lona ou fardos de palha e, em troca, deixe uma saída de ar permanentemente aberta lá em cima, sob o telhado. Um piquete coberto, abrigado do vento em três lados, tira muita pressão do galpão, porque as aves ficam fora durante o dia e nem chegam a levar a umidade para dentro.

A umidade tem três origens, e as três são de fabricação caseira: a respiração das aves, as fezes e a água derramada do bebedouro. Fezes úmidas produzem amônia, e produzem na cama — ou seja, exatamente onde as aves ficam e respiram. Por isso não cheire em pé; agache.

A cama na estação fria

Seco vence fundo: no inverno, uma camada fina e seca é melhor que uma grossa e úmida. Maravalha de baixa poeira, palha de cânhamo ou de linho e casca de espelta se mostraram boas, na prática em geral com cinco a dez centímetros de altura — fundo o bastante para ciscar e para o banho de areia. Feno úmido e casca de árvore moída seguram água e mofam.

O serviço mais importante do inverno leva um minuto: tirar os pontos molhados onde eles estão, todo dia. Jogar cama nova por cima não substitui isso; só empacota a umidade.

Água que não congela

Gelo não é água, e neve não substitui: codorna precisa de água líquida todo dia, mesmo em geada prolongada. O que se mostrou bom na prática:

  • Duas rodadas de água fresca por dia, em vez de um estoque grande. Quantidade pequena congela mais rápido, é verdade, mas também é bebida antes de chegar a isso.
  • Bebedouros abertos de borracha ou de plástico mole, dos quais dá para bater o gelo fora sem quebrar o recipiente. Bebedouro de bico congela primeiro na ponta e goteja depois de descongelar.
  • Não ponha o bebedouro no meio da cama, e sim elevado sobre uma tábua ou dentro de uma bandeja, melhor ainda no piquete coberto. Cada respingo que cai fora é um respingo a menos no ar do galpão.

Bebedouro aquecido vale o que vale qualquer aparelho elétrico no meio de poeira, pena e cama: funciona, mas exige atenção. Se você usar um, que seja aparelho feito expressamente para aves e para uso externo, com termostato em vez de funcionamento contínuo, com o cabo fora do alcance das aves — codorna bica tudo que está solto — e num circuito com disjuntor diferencial. Nada de extensão de rolo debaixo da cama. E a parte honesta continua valendo: a proteção mais confiável contra o congelamento é a segunda rodada da tarde.

Ração no frio

Calor custa energia, e energia vem da ração. No inverno, conte com consumo bem mais alto e postura em queda — é normal e não é sinal de erro.

A base continua sendo a mesma ração de postura. O recurso difundido ao trigo ou a uma mistura de grãos "para esquentar" dilui justamente aquilo de que as aves precisam agora: proteína, minerais e vitaminas. Se você der algo a mais, que seja um complemento pequeno à tarde, e não uma substituição.

Fora isso: ofereça calcário ou casca moída em separado. Dê verde em pouca quantidade e nunca congelado. Papa morna de manhã congela e estraga rápido — dê só o que for comido na hora. E, no inverno, monte mais pontos de alimentação do que no verão: as aves passam mais tempo num espaço menor, e as de posição baixa na hierarquia ficam sem. O estoque de ração fica em recipiente fechado, porque no inverno rato e camundongo também procuram o galpão.

Luz: por que a postura cai

A postura segue a duração do dia, não a temperatura. Quando os dias encurtam, a produção cai, e em dezembro ela para de vez em muitos planteis. Isso não é falha, é o ritmo anual embutido na ave.

Como faixa prática: uma fase de luz constante na região de 14 a 16 horas mantém o plantel em postura; se a duração do dia cair bem abaixo de umas doze horas, a produção despenca. Um programa de luz repõe então as horas que faltam. Se você rodar um, rode assim:

  • Estenda de manhã, não à noite. Se a luz apaga de repente à noite, as aves ficam no escuro onde quer que estejam. Um temporizador antes do nascer do sol e um escurecer natural no fim da tarde são o caminho mais calmo.
  • Só estenda, nunca encurte. Qualquer encurtamento do dia funciona como sinal de muda e joga o plantel para trás.
  • Luz baixa em vez de ofuscante. Luz forte em espaço pequeno favorece a bicagem de penas.
  • Nada de luz permanente. Uma fase escura contínua faz parte; luz o tempo todo não é programa, é estresse.

E a parte honesta: a pausa faz bem à ave. Pôr ovo é trabalho, a muda pede sossego, e para manter as codornas por vários anos costuma valer mais um inverno tranquilo do que uma temporada empurrada sem parar. Para fêmeas jovens no primeiro inverno um programa de luz pode fazer sentido, porque elas estão em postura de qualquer jeito; para aves mais velhas a pausa costuma ser a melhor escolha. A produção volta sozinha na primavera, assim que os dias se alongam.

Anote os dias de postura e as perdas ano após ano e, no outono seguinte, você verá de relance quando a queda normalmente começa, em vez de adivinhar — é exatamente para isso que servem os números do aplicativo.

A rodada de inverno em resumo

QuandoO quêPor quê
De manhãTrocar a água, tirar o geloDepois da noite o bebedouro amanhece congelado
De manhãRetirar os pontos molhados da camaEvita a amônia antes que ela se forme
Durante o diaAbrir o piquete, arejar o galpãoAr externo seco entra no lugar do ar úmido de dentro
À tardeSegunda rodada de água, recolher os ovosOvo trinca na geada e puxa germes
À noiteConferência visual, checar os fechosAve arrepiada e apática se destaca justamente agora