Criar codornizes

Quando as codornas começam a pôr — e quantos ovos são normais?

Início de postura, números normais de ovos por semana e por ano como faixas de prática, o curso do período de postura e as causas mais comuns da queda.

Codorna começa a pôr cedo: a maioria das fêmeas põe o primeiro ovo entre a sexta e a décima semana de vida. Na fase alta, uma fêmea sadia entrega na prática de quatro a seis ovos por semana e, contado sobre um ano inteiro de postura, algo entre 200 e 300 ovos, conforme a origem, a luz e a alimentação. São valores de experiência, não promessa: origem, duração do dia e ração deslocam o resultado bastante nos dois sentidos.

O início de postura

O momento exato depende menos do calendário do que de duas coisas: da linhagem de que as aves vêm e da luz sob a qual cresceram. Aves de planteis selecionados com rigor para postura começam mais cedo do que aquelas em que a seleção foi por cor ou por peso. As jovens que eclodem no fim do verão e crescem entrando nos dias que encurtam começam mais tarde do que as de uma eclosão de primavera ou de um galpão com luz complementar.

O começo raramente é limpo. Os primeiros ovos são menores que os seguintes, às vezes de casca fina, de vez em quando sem gema ou com duas gemas, e vêm irregulares. Isso é normal e costuma se ajeitar em duas ou três semanas. Só depois disso dá para dizer alguma coisa sobre como este plantel põe.

Quantos ovos são normais

Quatro a seis ovos por fêmea e por semana é uma expectativa realista na fase alta; algumas fêmeas põem quase todo dia, outras ficam abaixo disso o tempo todo. Nunca conte, então, com a melhor ave, e sim com a média do grupo — e calcule essa média sobre pelo menos uma semana, porque a variação de um dia para o outro num grupo pequeno é tão grande que um dia isolado não diz nada.

No cômputo do ano, planteis bem conduzidos ficam com frequência na faixa de 200 a 300 ovos por fêmea. Esse número vale para o primeiro período de postura e pressupõe um programa de luz e uma ração de postura. Um grupo que atravessa outono e inverno sem luz complementar sai abaixo disso, sem que nada esteja errado.

O curso ao longo do tempo

A postura não é uma reta, e sim uma curva com três trechos.

  1. Subida. Do primeiro ovo até a produção plena passam-se em geral duas a quatro semanas. Nesse tempo os ovos ficam maiores e mais parelhos.
  2. Fase alta. Na maioria dos planteis ela dura vários meses, muitas vezes a primeira metade ou os primeiros três quartos do período de postura. A dispersão é pequena, e as quedas quase sempre têm uma causa externa reconhecível.
  3. Declínio. A queda não vem como despencada, e sim como tendência que se arrasta por semanas. Junto com ela os ovos ficam maiores e as cascas mais finas, e a parcela de quebra aumenta.

Quando vale a pena trocar o plantel é conta, não regra de bolso. Em muitos planteis a troca acontece depois de cerca de um ano de postura, porque a partir dali a ração por ovo sobe de forma sensível e a quebra aumenta. Se isso vale para você, quem decide são os seus próprios números: o consumo de ração do grupo, os ovos por semana, a perda por quebra e o trabalho de levar uma nova geração até a idade de postura.

O que realmente derruba a postura

Duração do dia e programa de luz

A luz é a alavanca mais forte que existe. Codorna em postura precisa de uma fase clara longa; programas na faixa de 14 a 16 horas de luz por dia são o usual. Bem menos leva a queda; bem mais não traz proveito nenhum e tira o descanso das aves.

Mais importante que o número exato de horas é a constância. Um encurtamento age rápido e com clareza; um alongamento age devagar. Se for mexer no programa de luz, mexa em passos pequenos, nunca aos saltos. E confira o temporizador com regularidade: uma falha que passa despercebida explica muita queda para a qual ninguém mais acha explicação.

Ração e trocas de ração

Poedeira precisa de uma ração com proteína suficiente e, sobretudo, com cálcio suficiente para a casca; ração de recria ou de engorda não cobre isso. Numa troca abrupta de marca ou de lote, o consumo muitas vezes cai por alguns dias, e a postura vai atrás. Misture a ração nova na velha ao longo de vários dias.

A água entra na mesma rubrica. Um bebedouro entupido, um cano congelado ou uma linha de bebida que uma ave dominante bloqueia custam ovos mais rápido do que qualquer erro na ração.

Estresse e mudanças de lugar

Toda mudança de lugar reordena a hierarquia, e os dias seguintes custam ovos. Pôr aves novas num grupo já formado é o que age mais forte. Somam-se a isso o barulho, a troca frequente das pessoas que aparecem no galpão, cães e gatos no campo de visão, perturbações noturnas e predadores no arame — estes últimos você muitas vezes só percebe pela contagem dos ovos e pelas aves assustadas de manhã.

Calor e frio

O calor pega primeiro no apetite e, por meio dele, na casca: casca fina e mais quebra são o retrato típico do verão. Em dias quentes, garanta sombra, movimento de ar e água fresca sempre disponível. O frio sozinho costuma ser superestimado, desde que as aves fiquem secas e sem corrente de ar; ele se torna crítico quando a água de beber congela.

Parasitas e doença

Ácaros, piolhos de pena e parasitas internos derrubam a produção muito antes de as aves parecerem doentes. Entre os sinais estão noites agitadas, coceira, plumagem sem brilho, pele pálida e perda de peso apesar do consumo normal de ração. Percorra o plantel e os poleiros no escuro, com uma lanterna. Diagnóstico e tratamento são assunto do veterinário; remédio dado por suspeita custa tempo e muitas vezes acerta o alvo errado.

Muda

A troca de penas custa ovos, porque a ave põe as reservas nas penas. É um processo normal e não uma falha no manejo. Aparece como um declínio ao longo de várias semanas, com muitas penas chamando atenção no galpão.

Observação, causa possível, primeira coisa a conferir

ObservaçãoCausa possívelO que conferir primeiro
o número despenca de um dia para o outroperturbação, troca de luz ou de raçãoo que mudou nos últimos três dias; temporizador e bebedouro
declínio lento ao longo de semanasidade, dias mais curtos, mudaidade do plantel, horas de luz reais, penas no galpão
casca fina, muita quebracálcio, calor, idade do plantelmarca da ração e cálcio oferecido, temperatura, ritmo de recolhimento
ovos sujos ou bicadoscama, lugares de postura, tédiolimpeza, cantos de postura, hora e frequência do recolhimento
ovos muito pequenos ou sem gemainício de postura, ou volta depois de uma pausaidade das fêmeas; se não for o começo, siga observando
inquietação, pescoços pelados, perda de penasmachos demais, aperto, parasitasproporção de machos para fêmeas, pontos de ração e de água, conferência no escuro
aves comendo menos que o normalágua, calor, troca de ração, doençabebedouro e qualidade da água, temperatura do galpão, depois o veterinário

Se você anota os ovos recolhidos por grupo na hora, em poucas semanas tem a curva de subida, fase alta e declínio — e com ela a única base sólida para a pergunta da troca.