Criar codornas: guias práticos

Incubação, alimentação, postura, alojamento e inverno — guias práticos para criar codornas, com números dados como intervalos de trabalho em vez de uma precisão inventada.

Reprodução de codornas — escolher matrizes e conduzir linhas separadas

Reproduzir é selecionar: por quais características você guarda as matrizes, como se monta um grupo de reprodução e o que a consanguinidade faz num plantel.

Reproduzir é selecionar, não apenas multiplicar. Se você guardar de cada eclosão o que sobrou, em poucos anos terá um plantel que põe menos que o lote com que começou — não porque algo deu errado, mas porque nunca se decidiu nada. No fundo, a criação se resume a três gestos: você define o que está selecionando, guarda com firmeza apenas as aves que correspondem a esse objetivo, e anota de onde veio cada lote.

Todo o resto aqui é a execução dessas três frases.

O que você seleciona — nesta ordem

A ordem importa mais que a lista. As características de baixo só entram em cena quando as de cima já estão certas.

  1. Saúde e vitalidade. Uma ave que nunca chamou atenção, atravessou bem a criação, tem plumagem limpa e olhos claros e come normalmente é o ponto de partida. Aves que adoecem repetidamente não entram no grupo de reprodução, por mais que todo o resto nelas agrade. Quando uma doença corre pelo plantel, o assunto é do veterinário e não da seleção.
  2. Postura. Não a de um único dia, mas o comportamento ao longo de semanas: início de postura cedo e regular, poucas pausas, sem queda precoce. Na criação em grupo raramente dá para atribuir o desempenho à ave individual — então você seleciona o grupo mesmo e guarda a descendência do grupo melhor.
  3. Tamanho do ovo e casca. Ovos uniformes, de casca firme. Ovo muito grande não é objetivo em si; ele vem com mais frequência acompanhado de casca mais fina, mais quebra e mais problemas de postura.
  4. Peso e conformação. Característica principal nas linhas de corte, secundária nas de postura. Fêmeas muito pesadas costumam pôr menos.
  5. Calma e docilidade. Aves que não disparam para cima assim que você entra se machucam menos na tampa, põem com mais regularidade e tornam o trabalho diário mais leve. É uma característica subestimada, e a herança influi nela.

A idade das matrizes e a janela dos ovos férteis

Uma ave fica sexualmente madura muito antes de ser uma matriz aproveitável. Os primeiros ovos de uma fêmea jovem são pequenos, irregulares e eclodem mal; na prática, ovo fértil aproveitável só aparece algumas semanas depois do início de postura, quando tamanho e ritmo já se estabilizaram.

Na outra ponta está a fertilidade. Em machos mais velhos ela cai, e com ela a taxa de eclosão, enquanto a fêmea ainda segue pondo bastante bem. Por isso a janela aproveitável para ovos férteis fica, na prática, mais ou menos entre o terceiro ou quarto mês de vida e o fim do primeiro período de postura, com o melhor resultado nos primeiros meses depois disso. Se você continuar incubando das mesmas matrizes por mais tempo, anote as taxas de eclosão — elas mostram a queda antes de você desconfiar dela.

Montar o grupo de reprodução

Grupo de reprodução não é arranjo de convivência: ele se monta para um fim e depois se deixa em paz.

  • Um macho por grupo. Dois machos em pouco espaço significam briga, perda de pena e agitação, e atribuir a descendência vira impossível.
  • A proporção. O grupo de reprodução é conduzido mais apertado que um plantel só de postura: lá, três a cinco fêmeas por macho é o usual; no grupo de reprodução, mais para duas a quatro. A razão está no propósito — no plantel de postura conta o número de ovos; no grupo de reprodução conta que eles estejam férteis. Fêmeas de menos significam aves sobrecarregadas, de nuca e dorso pelados; fêmeas demais significam ovo infértil. Você enxerga as duas coisas: uma na plumagem, a outra na ovoscopia.
  • Tempo antes de recolher. Depois de montado o grupo, passam-se alguns dias até os ovos estarem confiavelmente férteis. Só recolha ovos férteis depois disso, senão você joga fora metade do primeiro lote.
  • Sossego. Cada remanejamento custa postura e fertilidade. Um grupo de reprodução se forma uma vez e depois não se mexe mais nele.

Parentesco e o que a consanguinidade provoca

Consanguinidade não quer dizer nada além de que os pais são parentes mais próximos — quanto mais próximos, mais forte. O efeito não é acaso nem azar, é conta: a cada acasalamento entre parentes cresce a parcela de características que uma ave carrega em dobro. Isso vale igualmente para as desejáveis e para as indesejáveis — só que as indesejáveis é que chamam atenção.

Em plantel pequeno o parentesco chega rápido, porque quem tira duas ou três gerações de um único grupo comprado uma hora acasala irmão com irmã sem perceber. O que acontece então, passo a passo, é sempre o mesmo quadro, e se chama "depressão por consanguinidade": fertilidade pior, taxas de eclosão em queda, mais filhotes que morrem no fim da incubação, aves jovens menores e menos resistentes, desenvolvimento mais lento. Raramente vem como desabamento; costuma vir como declínio leve ao longo de várias gerações — e é exatamente por isso que tantas vezes se atribui a outras causas.

Um acasalamento isolado de irmão com irmã não é catástrofe; programas de melhoramento trabalham com isso de propósito, para tornar características visíveis. Seguido sem controle por anos, é a causa mais comum de um plantel "simplesmente não querer mais".

Linhas separadas e compra de fora

A saída mais simples não é cálculo, é organização.

  • Conduza duas ou três linhas separadas. Cada linha segue sendo criada por si, e para a geração seguinte você cruza entre as linhas. Assim a diversidade se mantém sem que você precise calcular graus de parentesco. A condição é que as linhas fiquem de fato separadas — em compartimentos separados e com ovos férteis identificados em separado.
  • Compre genética de fora com regularidade. Um macho novo de outro plantel a cada poucas gerações costuma bastar. Compre no criador, não na feira, pergunte pela origem e pela idade, e aloje as aves novas em separado e sob observação antes que entrem no plantel.
  • Trocar em vez de comprar. Entre criadores da região, trocar um macho muitas vezes funciona melhor e sai mais barato que qualquer compra.

Registros

Sem anotação de origem por lote, depois de duas gerações a criação vira adivinhação. Você até vê que a taxa de eclosão está caindo, mas já não sabe dizer de qual grupo vieram as aves que vão mal — e com isso qualquer seleção perde o sentido.

Não é preciso muito. Por lote bastam: data, grupo de origem ou linha, número de ovos incubados, número de filhotes nascidos, perdas nas duas primeiras semanas e uma nota sobre a compra, se houver ave de fora envolvida. Mais o número de ovos por semana em cada grupo. Mantenha as identificações simples o bastante para ainda fazerem sentido daqui a um ano, e identifique os ovos em si, não só a bandeja em que estão.

Se você registrar origem e números de cada lote já na hora de incubar, depois de duas gerações terá uma base em vez de uma lembrança — é para isso que este aplicativo foi feito.

Perguntas frequentes

Como montar um grupo de reprodução de codornas?
Um macho por grupo, conduzido mais apertado que um plantel de postura: duas a quatro fêmeas por macho, em vez de três a cinco. Fêmeas de menos deixam nuca e dorso pelados; fêmeas demais significam ovo infértil. Depois de montado o grupo, passam-se alguns dias até os ovos ficarem confiavelmente férteis — só recolha ovos férteis depois disso.
Por quais características você escolhe as matrizes?
Nesta ordem: saúde e vitalidade, depois o histórico de postura ao longo de semanas, depois ovos uniformes de casca firme, depois peso e conformação, por último calma e docilidade. A cor pode decidir, mas só entre duas aves empatadas nos pontos anteriores.
Que idade devem ter as matrizes?
Ovo fértil aproveitável só aparece algumas semanas depois do início de postura, quando tamanho e ritmo já se estabilizaram. A janela fica mais ou menos entre o terceiro e o quarto mês de vida e o fim do primeiro período de postura, com o melhor resultado nos primeiros meses. Em machos mais velhos a fertilidade cai, enquanto a fêmea ainda segue pondo bem.
O que a consanguinidade provoca?
Vem aos poucos, raramente como desabamento: fertilidade pior, taxas de eclosão em queda, mais filhotes que morrem no fim da incubação, aves jovens menores e menos resistentes. Um acasalamento isolado de irmão com irmã não é catástrofe; seguido sem controle por anos, é a causa mais comum de um plantel "simplesmente não querer mais".
Como evitar consanguinidade num plantel pequeno?
Conduza duas ou três linhas separadas e cruze entre elas na geração seguinte — assim você não precisa calcular graus de parentesco. Compre um macho novo de outro plantel a cada poucas gerações; entre criadores da região, trocar costuma funcionar melhor do que comprar.
Quantas características dá para selecionar ao mesmo tempo?
Uma só. Quem no mesmo ano seleciona por mais ovos, aves mais pesadas, uma cor determinada e temperamento calmo acaba com pouquíssima escolha em cada quesito e não avança em nenhum. Algumas características jogam uma contra a outra: peso costuma sair às custas da postura, ovo muito grande às custas da casca.