Criar codornizes

Reconhecer a codorna doente — o que olhar todo dia e quando ir ao veterinário

Codorna esconde a fraqueza até o fim — como fixar o normal do seu plantel, como fazer a conferência diária de dois minutos e o que vai já ao veterinário.

Você não reconhece uma codorna doente por um sintoma, e sim por um desvio — e só enxerga o desvio quem conhece o estado normal do próprio grupo. Olhe todo dia a postura, a plumagem, a respiração, a vontade de comer e as fezes. Uma ave que fica arrepiada e afastada das outras, que respira com barulho ou que não vem comer junto é caso para o veterinário, não para remédio caseiro e adivinhação. Este artigo faz de você um observador; o tratamento acontece no consultório.

A ave sadia como medida

Antes de reconhecer doença, você precisa de uma imagem de como suas aves ficam quando está tudo em ordem. Essa imagem é específica do seu plantel: o que é normal na sua criação pode chamar atenção na do vizinho.

  • Postura. A plumagem fica lisa e colada, o corpo parece compacto e na horizontal, a cabeça erguida e em movimento. Uma ave sadia reage à sua chegada — seja correndo até você, seja correndo embora.
  • Plumagem. Limpa, fechada, com brilho. Plumagem de barriga suja e região da cloaca grudada valem sempre uma segunda olhada.
  • Respiração. Sem ruído e sem esforço visível, com o bico fechado. Qualquer som audível — chiado, assobio, estalo —, e junto disso espirro, sacudida de cabeça, corrimento no nariz ou nos olhos e respiração de bico aberto sem calor, não faz parte do quadro normal.
  • Olhos e cabeça. Claros, redondos, bem abertos. Olho meio fechado durante o dia é um dos sinais mais precoces que existem.
  • Vontade de comer. Codorna come ao longo do dia inteiro e cisca enquanto come. Quando você põe ração fresca, o grupo tem de vir; a ave que fica para trás você olha de perto.
  • Fezes. Formadas, com a parte branca, depositadas de modo visível na cama. No meio delas aparecem porções mais moles e de outra cor, vindas do ceco — essas são normais e muitas vezes passam por diarreia.
  • Comportamento no grupo. As aves ficam à distância de chamado, tomam banho de areia, ciscam e descansam alternadamente. Uma ave que fica parada num canto o tempo todo e a quem as outras não dão mais atenção já caiu fora.

A conferência visual diária em dois minutos

A conferência só funciona se acontecer todo dia na mesma ocasião. Melhor de manhã, na hora de abrir: aí o grupo ainda não entrou em operação, e a ave que não se levanta junto salta aos olhos na hora. Conferindo só à noite, você vê aves cansadas e confunde doença com fim de expediente.

  1. Primeiro pare e conte. Estão todas aí, antes de você quebrar o sossego.
  2. Olhe o grupo como um todo. Quem não se mexe junto, quem senta afastado, quem arrepia as penas.
  3. Confira a ração e a água. O bebedouro está cheio, limpo, e funciona de fato. Comedouro vazio é causa, não detalhe.
  4. Agache e cheire. Ar úmido e ardido do galpão você sente na altura das aves, não em pé.
  5. Olhe a cama e as fezes. Pontos aguados, cor fora do comum, sangue.
  6. Separe a ave que chamou atenção e pegue-a na mão. Peso e musculatura do peito dizem mais que qualquer aparência: se o osso do peito estiver afiado e saliente, a ave vem definhando há semanas.

Observações que sempre vão parar no veterinário

Nos pontos a seguir, esperar é o caminho mais caro. Ligue, em vez de ficar procurando:

  • Respiração audível, respiração de bico aberto sem calor, espirro repetido ou corrimento no nariz e nos olhos.
  • Ave apática e de penas eriçadas, olhos fechados durante o dia, uma ave que se deixa pegar sem fugir.
  • Perdas repentinas de várias aves em poucos dias, mesmo que as demais pareçam animadas.
  • Sangue — nas fezes, na ave, na cama.
  • Paralisias e distúrbios de movimento: pernas arrastando, pescoço torcido, ave que tomba ou anda em círculos.
  • Fêmea que faz força de modo visível, senta de pernas abertas e passa horas sem pôr.
  • Emagrecimento rápido apesar do comedouro cheio.

Leve à consulta o que poupa trabalho da clínica: uma amostra fresca de fezes de vários pontos, suas anotações e, se você teve perdas, a ave morta refrigerada — não congelada.

Observações que primeiro perguntam pelo manejo

Boa parte do que os criadores tomam por doença é uma resposta às condições. Confira estes cinco pontos antes de procurar na ave: corrente de ar na altura das aves, umidade na cama e no ar, aperto e machos demais, uma troca recente de ração e falta de água. A falta de água está com regularidade no começo de tudo — um bebedouro congelado, entupido ou ocupado por uma ave de posição alta faz efeito em poucas horas.

ObservaçãoO que conferir primeiroQuando ir ao veterinário
Fezes moles e aguadas em aves de resto animadasTroca de ração, ração estragada ou úmida, muito verde, limpeza do bebedouroSe durar mais de um a dois dias, atingir várias aves ou as aves ficarem abatidas
Sangue nas fezesNada — isso não é assunto de manejoNa hora
Respiração audível, espirro, corrimentoPoeira na cama, amônia, corrente de ar na altura das avesSempre, e sem adiar quando são várias aves
Uma ave fica arrepiada e afastada das outrasSe ela consegue chegar à ração e à águaNa hora, se na manhã seguinte estiver igual — melhor ainda no mesmo dia
Falhas de pena, coceira constante, inquietação no anoitecerBanho de areia seco e grande o bastante, frestas e fendas, densidade de alojamento, número de machosSe persistir mesmo com o manejo em ordem
A postura despencaLuz, mudança de ração, muda, susto com predador, ninhos escondidosSe além disso as aves parecerem abatidas ou perderem peso
Uma ave manca ou mantém uma perna erguidaLesão, batida no teto, restos de tela, briga de hierarquiaSe em um a dois dias não melhorar ou se a ave não apoiar o pé
Várias aves morrem em curto intervaloLote de ração, água, calor, predador à noiteNa hora
Plumagem da barriga e da cloaca sujaCama molhada, bebedouro vazando, diarreiaNuma ave sozinha que faz força, na hora

Aves novas: separadas antes de entrar no grupo

Toda ave comprada traz consigo o que existia no plantel de origem — e muitas vezes o próprio vendedor não sabe disso, porque o plantel dele está acostumado. Um agente que ali dorme quieto encontra, na sua criação, aves que nunca tiveram contato nenhum com ele.

Por isso, mantenha as aves novas separadas no começo: espaço próprio, equipamento próprio, bebedouro próprio, e sempre atendidas por último na ordem do seu serviço. Duas a três semanas é a faixa usual na criação de fundo de quintal. Nesse tempo você olha as aves todo dia, pesa no começo e no fim e presta atenção na respiração e nas fezes. A separação tem um segundo ganho que costuma passar despercebido: o estresse do transporte baixa, e as aves não entram enfraquecidas na hierarquia de um grupo estranho. O mesmo vale para aves que voltam de uma exposição.

Registro é ferramenta, não papelada

O olho guarda acontecimentos, não padrões. Que morreram quatro aves no último semestre é lembrança; que três delas vieram do mesmo canto do galpão e a quarta morreu três dias depois de uma troca de ração é pista. Essa diferença quem faz é só a anotação.

Anote curto, mas com constância:

  • Perdas com data, idade, lugar no galpão e o que você tinha notado antes.
  • Compras e aves repassadas com data e origem.
  • Trocas de ração, cada lote novo, cada mudança.
  • Postura em forma grosseira — ovos por dia para o grupo já basta.
  • Serviços no galpão e clima fora do comum.

Duas linhas por dia bastam. O que decide não é a forma, e sim que tudo fique num lugar só e que você consiga folhear para trás depois de um ano — é para isso que um livro de criação como o QuailBreeder foi feito, e um caderno pendurado no galpão dá conta igual.