Criar codornas: guias práticos

Incubação, alimentação, postura, alojamento e inverno — guias práticos para criar codornas, com números dados como intervalos de trabalho em vez de uma precisão inventada.

Quanto tempo vive a codorna? Na prática, 18 a 20 meses — e até quando ela põe ovos?

Expectativa de vida da codorna na criação própria e na literatura, a diferença para a duração da postura, o que encurta a vida e como reconhecer a ave velha.

Codorna em criação de postura vive, na prática, 18 a 20 meses; a literatura de criadores fala em dois a quatro anos, e isso vale para aves que ninguém mantém por produção. A duração econômica da postura é mais curta ainda: a fase alta fica no primeiro período de postura, e em muitos planteis o grupo é trocado depois de cerca de um ano de postura, porque dali em diante a produção cai devagar. Uma fêmea que não põe mais vive, portanto, muitas vezes ainda meio ano e mais — a pergunta é se você quer ficar com ela.

Duração da vida e duração da postura são dois números diferentes

A duração da vida é o tempo que uma ave vive quando ninguém intervém. Numa criação de postura que leva as fêmeas por dois períodos de postura, isso dá, pela nossa experiência, 18 a 20 meses — não porque aí se abate, e sim porque por volta dessa idade as aves morrem por si. A literatura de criadores fala, para aves mantidas em sossego, em dois a quatro anos, e relatos isolados em cinco anos e mais; são exceções de planteis sem pressão por produção. A faixa é tão larga porque depende de linhagem, manejo e luz — e porque quase ninguém fica tanto tempo com as suas codornas.

A duração da postura é o tempo em que a fêmea põe ovos suficientes para a ração dela valer a pena. Começa entre a sexta e a décima semana de vida, chega em duas a quatro semanas à produção plena — cerca de quatro a seis ovos por semana — e a mantém ao longo do primeiro meio ano a três quartos de ano do período de postura. Depois não vem despencada, e sim uma tendência ao longo de semanas: menos ovos, casca mais fina, mais quebra. Em muitos planteis o grupo é trocado depois de cerca de um ano de postura.

Visão econômicaVisão biológica
Começoprimeiro ovo, 6ª a 10ª semanaeclosão
Melhor trechoprimeiro meio ano a três quartos de ano do período de posturaprimeiro ano de vida
"Velha" a partir decerca de um ano de posturano segundo ano de vida; morte, na prática, com 18 a 20 meses
O que vem entãotroca do grupo ou continuar com menos ovosmobilidade em queda, perdas

O que influencia a idade

Luz sem parar. Quem mantém o grupo o ano inteiro com 14 a 16 horas de luz tem ovo o ano inteiro — e gasta as fêmeas mais rápido. Sem pausa de inverno, o corpo fica sem tempo para muda e recuperação. Quem quer ficar com as codornas por vários anos costuma se sair melhor com um inverno calmo do que com uma temporada levada até o fim.

Seleção por produção. Linhagens de postura selecionadas para cerca de 300 ovos por ano foram feitas para um período de postura curto e intenso, não para vida longa. Linhagens mais pesadas e menos selecionadas por produção põem menos e envelhecem mais devagar.

Manejo. Aperto, corrente de ar, umidade e parasitas custam tempo de vida muito antes de custarem aves. Um galpão alto demais com teto duro rende ferimentos na cabeça; uma marta, o fim do grupo inteiro. A maioria das codornas em criação amadora não morre de velhice, e sim de um acontecimento evitável.

Machos e hierarquia. Fêmeas com poucas fêmeas por macho, ou em grupos com vários machos, são cobertas com frequência demais; a nuca pelada é o sinal visível, o estresse permanente é o invisível.

A própria postura. Uma fêmea que põe 200 a 300 ovos por ano entrega, com cada ovo, cálcio e proteína. Uma ração de postura com cálcio suficiente e calcário à vontade a mantêm sadia por mais tempo do que qualquer suplemento.

Como reconhecer a ave velha

A idade não está escrita na cara da codorna — um motivo para perguntar a data de eclosão na compra. No próprio plantel ela aparece assim:

  • Os ovos. Menos, porém maiores, com casca mais fina e mais quebra. É o sinal mais precoce e mais confiável.
  • A plumagem. Fica mais opaca, o desenho mais desbotado; a muda demora mais e vem mais forte.
  • O movimento. Ave velha fica mais parada, chega mais devagar à ração, levanta voo menos vezes quando se assusta.
  • Os pés. Escamas mais grossas nas pernas, unhas mais compridas.
  • O peso. Muitas vezes sobe, porque vai menos para os ovos.

Nenhum desses sinais sozinho prova idade. Plumagem opaca também tem a ave com ácaro, ovo de menos também tem um plantel em novembro. Uma ave que de repente está diferente de ontem não está velha, está doente — isso vai para o veterinário. Idade vem ao longo de meses.

O que fazer com a fêmea que não põe mais

Isso não é pergunta técnica, é decisão; as duas respostas estão certas.

Ficar com ela. Uma fêmea velha come por alto 20 a 30 gramas por dia e precisa de espaço, água e uma olhada de manhã — nada mais. Aves mais velhas costumam ser mais calmas, mantêm o grupo unido e na primavera muitas vezes voltam a pôr alguns ovos. Ração de postura com cálcio alto elas não precisam mais; uma ração completa na ponta de baixo da faixa de proteína basta.

Abater. Nos planteis em que os ovos têm de pagar o trabalho, o grupo é renovado depois do primeiro período de postura, e as fêmeas velhas são aproveitadas. É o caminho usual na criação de codornas. Ave mais velha tem carne mais firme e serve mais para cozido do que para assado. O que se exige de capacitação, notificação e descarte é regulado por estado e por município; quem informa é o serviço veterinário oficial.

O que não está certo: adiar a decisão até a ave tomá-la por você. Uma fêmea que visivelmente decai ou é acuada pelo grupo precisa ou de um lugar próprio ou de um fim que você determina.

Quando a troca vale a pena é aritmética: consumo de ração, ovos por semana, quebra e o trabalho de levar uma nova geração até a idade de postura. Um grupo que no segundo ano ainda põe três ovos por fêmea e semana pode bastar para uma casa; para quem vende ovos, é prejuízo.

Registros da idade do grupo

Todas essas decisões pressupõem que você sabe a idade das suas aves. Depois de duas gerações próprias e uma compra, um plantel tem aves de quatro eclosões, e sem anotação ninguém lembra qual veio de qual.

Três dados bastam: data de eclosão ou de compra por ave ou por grupo, data do primeiro ovo do grupo e os ovos por semana. Quem não identifica as aves uma a uma as conduz por grupo — e aí os grupos ficam separados por idade. Anilhas coloridas, uma cor por eclosão, são em planteis pequenos o meio mais simples de ler a idade na própria ave.

Com esses números você vê, depois de dois anos, quanto tempo as suas aves vivem no seu manejo — um número que é diferente em cada galpão. É para isso que existem os indicadores e as fichas de animal no aplicativo.

Perguntas frequentes

Quanto tempo a codorna vive?
Numa criação de postura, pela nossa experiência, 18 a 20 meses; a literatura fala em dois a quatro anos para aves sem pressão por produção. A maioria das codornas em criação amadora, porém, não morre de velhice, e sim de um acontecimento evitável — marta, ferimento na cabeça, umidade.
Até quando a codorna põe ovos?
A fase alta dura o primeiro meio ano a três quartos de ano do período de postura, com cerca de quatro a seis ovos por fêmea e semana; depois a produção cai devagar. Em muitos planteis o grupo é trocado depois de cerca de um ano de postura.
Como reconhecer uma codorna velha?
Por vários sinais ao mesmo tempo: menos ovos, porém maiores e de casca fina, plumagem mais opaca, mais tempo parada e menos voo, escamas mais grossas nas pernas. O que muda de um dia para o outro não é idade, é doença.
O que fazer com codornas que não põem mais?
Ficar com elas ou abater — os dois são comuns. Uma fêmea velha precisa de pouco, mantém o grupo calmo e na primavera muitas vezes ainda põe alguns ovos; quem precisa fazer a conta dos ovos renova o grupo depois do primeiro período de postura.