Criar codornas: guias práticos
Incubação, alimentação, postura, alojamento e inverno — guias práticos para criar codornas, com números dados como intervalos de trabalho em vez de uma precisão inventada.
Precisa de macho de codorna? Não para ovos, sim para filhotes — e aí um para três a cinco fêmeas
A codorna põe igual sem macho; ele só é necessário para ovos férteis. De quantas fêmeas ele precisa, quanto barulho faz e o que fazer com os machos que sobram.
A codorna põe sem macho tantos ovos quanto com ele — o macho não tem influência nenhuma sobre a postura. Sem ele os ovos saem inférteis e, para comer, valem o mesmo; macho só é preciso se você quiser incubar, e aí um para cerca de três a cinco fêmeas. Para quem só quer ovos na cozinha, o grupo de fêmeas sem macho é a variante mais sossegada e mais silenciosa.
As fêmeas põem sem macho?
Põem, e sem nenhuma diferença. O ovo se forma na fêmea independentemente de haver macho no galpão; o macho só acrescenta a fecundação. Um grupo de fêmeas sem macho começa a pôr entre a sexta e a décima semana de vida, entrega na fase alta cerca de quatro a seis ovos por fêmea e semana e, num ano de postura, algo entre 200 e 300 ovos — os mesmos valores de um grupo com macho.
A diferença está no próprio ovo. Um ovo infértil nunca se desenvolve, por mais aquecido que fique; um fértil se desenvolve assim que passa tempo suficiente no calor. Para ovo de mesa, guardado no frio e comido em pouco tempo, isso não faz diferença: sabor, valor nutritivo e validade não se distinguem de um jeito que alguém notasse na cozinha.
Para que o macho serve de fato
Para ovos férteis, e para mais nada. Quem quer filhotes próprios precisa de ovos fecundados, e esses só existem com um macho sexualmente maduro no grupo. Depois de juntar as aves passam-se alguns dias até os ovos saírem fecundados com segurança.
E ovo fértil aproveitável não aparece desde o primeiro dia. Os primeiros ovos de uma fêmea jovem são pequenos e eclodem mal; a janela aproveitável fica, na prática, mais ou menos entre o terceiro ou quarto mês de vida e o fim do primeiro período de postura. Em machos mais velhos a fecundação cai enquanto a fêmea ainda põe direito — um motivo para trocar antes o macho do que as fêmeas.
Quantas fêmeas por macho
Na prática, a faixa que se firmou é de cerca de três a cinco fêmeas por macho. As duas direções cobram o seu preço:
- Fêmeas de menos. O macho cobre cada fêmea com frequência demais. Na cobertura ele a segura pela nuca, e o resultado são falhas de pena na nuca e no dorso, no pior caso pele em sangue.
- Fêmeas demais. Parte dos ovos fica sem fecundar, o que você só percebe na ovoscopia durante a incubação.
Um grupo de reprodução, em que só a fecundação importa, é conduzido mais apertado — antes duas a quatro fêmeas por macho. Quem quiser depois saber de qual macho vem cada filhote mantém um único macho por grupo.
O barulho
O macho de codorna canta alto, rouco e em várias sílabas, quase sempre em séries curtas, sobretudo de manhã cedo e no crepúsculo — com luz no galpão, até antes de o vizinho acordar. O canto não é um cocorico, mas alcança longe e se repete. Quem cria codorna em vizinhança apertada — casa geminada, sacada, horta comunitária — faz melhor em não ter macho, ou em conversar antes com os vizinhos. As fêmeas ficam nos sons baixos: trinado, um assobio curto, um tique-taque quando se agitam.
Os cantos começam com a chegada da maturidade sexual, na prática por volta da quinta à oitava semana. Eles não servem de contador: um macho dominante canta muito, os de posição mais baixa podem passar dias calados. Um cantor quer dizer pelo menos um macho, não exatamente um.
Vários machos num grupo
Se vários machos sexualmente maduros ficam à vista das mesmas fêmeas, eles brigam, e essas brigas não param sozinhas. Terminam com ferimentos na cabeça, com aves afastadas da ração e com fêmeas agitadas que põem pior. Ainda por cima, cada fêmea é coberta por vários machos, e as nucas peladas chegam mais rápido do que com um macho que tem fêmeas de menos.
Dois machos num grupo pequeno quase nunca dá certo. O que às vezes dá é um macho por grupo em compartimentos separados, fora do alcance da vista. Quem quiser ficar com os machos que sobram os mantém como grupo só de machos; sem fêmeas ao alcance, esses grupos costumam ficar em paz, mas não é garantia.
| Observação | O que está por trás | O que conferir primeiro |
|---|---|---|
| Nuca pelada em algumas fêmeas | Fêmeas de menos por macho | Proporção; acrescentar fêmeas ou tirar o macho |
| Nuca pelada em todas as fêmeas, agitação o dia inteiro | Vários machos | Contar os machos, não estimar |
| Ferimentos na cabeça, uma ave encolhida no canto | Brigas de hierarquia entre machos | Separar os machos na hora; em ferida mais funda, veterinário |
| Muitos ovos inférteis na ovoscopia | Fêmeas demais por macho, macho velho, grupo recém-montado | Proporção, idade do macho, tempo desde a montagem do grupo |
Quando o macho está maduro
Maturidade sexual e aptidão para reprodução são duas coisas diferentes. O canto começa por volta da quinta à oitava semana, e a partir daí o macho também cobre. Ovos fecundados com segurança para incubar, porém, só vêm algumas semanas depois, quando macho e fêmeas terminaram de crescer e as fêmeas põem estável em tamanho e ritmo — na prática, por alto a partir do terceiro mês de vida.
Em aves de cor selvagem o macho se reconhece pelo peito castanho-ferrugem uniforme, sem pintas, com segurança por volta da quarta à sexta semana; nas variedades de cor única quem decide é o canto e o exame da cloaca.
O que fazer com os machos que sobram
Essa é a pergunta que toda eclosão faz, porque saem mais ou menos tantos machos quanto fêmeas. Quem tira de vinte filhotes dez machos e precisa de um tem nove a mais — e essa decisão vem antes de pôr os ovos na incubadora.
- Passar adiante para outros criadores. A procura é pequena, porque todo mundo que incuba tem o mesmo problema; um macho de outra linha, porém, é bem procurado por criadores que querem evitar consanguinidade.
- Criação separada como grupo de machos. Custa espaço e ração, não dá ovo e, no longo prazo, raramente é a solução.
- Abater. Na maioria dos planteis é o caminho usual. Quem não quer isso faz melhor em comprar logo fêmeas em vez de filhotes ou ovos férteis. O que se exige de capacitação, notificação e descarte é regulado de forma diferente por estado e por município; quem informa é o serviço veterinário oficial, e na primeira vez a gente pede a alguém que sabe para mostrar como se faz.
Se há macho no galpão é, no fim, uma decisão sobre o que você quer: ovos ou filhotes. Quem quer os dois mantém o grupo de reprodução pequeno e o grupo de postura sem macho — e anota, por grupo, qual macho entrou e quando.
Perguntas frequentes
- A codorna põe ovos mesmo sem macho?
- Põe, sem nenhuma diferença: primeiro ovo entre a sexta e a décima semana de vida, na fase alta cerca de quatro a seis ovos por fêmea e semana. Sem macho os ovos saem inférteis e, para comer, valem o mesmo.
- De quantas fêmeas um macho de codorna precisa?
- Cerca de três a cinco fêmeas por macho no plantel de postura, no grupo de reprodução antes duas a quatro. Com menos fêmeas, cada uma é coberta com frequência demais e fica pelada na nuca; com bem mais, parte dos ovos fica sem fecundar.
- O macho de codorna faz muito barulho?
- O canto é alto, rouco e de várias sílabas, vem em séries e sobretudo de manhã cedo; começa por volta da quinta à oitava semana de vida. Em vizinhança apertada é melhor não ter macho, ou conversar antes com os vizinhos.
- Dá para criar dois machos de codorna juntos?
- Não com fêmeas no mesmo grupo ou à vista — ali eles brigam, e as brigas não param sozinhas. Separados e sem fêmeas, grupos de machos costumam ficar calmos, mas não é garantia.